Em Dia Mundial do Meio Ambiente, pauta sustentável ainda sofre com influência do poder econômico

por Ricardo Andrade

Valdir Barreto
Vereador e ambientalista Valdir Barreto atua na ONG Elo Ambiental e no Conselho Municipal de Meio Ambiente (Comdema) de Valinhos (FOTO: Divulgação)
Ambientalistas e demais movimentos sustentáveis celebram hoje o Dia Mundial do Meio Ambiente. A cada ano a data se torna mais conhecida. Entretanto, as conquistas buscadas por aqueles que a solenizam ainda estão longe de serem alcançadas. De acordo com levantamentos do Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia), em fevereiro deste ano foram desmatados 42 km², o equivalente a quatro campos e meio de futebol, representando assim um aumento de 282% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Apesar de terem maior visibilidade quando ocorrem na região amazônica, os crimes ambientais também podem ser vistos na Região Metropolitana de Campinas (RMC), sendo causados muitas vezes por empreendimentos imobiliários. É o que afirma o presidente da ONG Eco Vida Ambiental, de Valinhos, Alexandre Tonetti: “Nossa região viveu na década de 1990 o início do ciclo da exploração do território pelos empreendimentos imobiliários horizontais em enclaves, os condomínios, que em grande parte se aproveitaram da carência técnica e estrutural das prefeituras para descaracterizar nascentes e suprimir vegetação nativa em busca de lucros maiores”; avalia.

As agressões ao meio ambiente por parte do poder econômico não se limitam a crimes ambientais. De acordo com o vereador e ambientalista de Vinhedo, Valdir Barreto (PSOL), o chamado “lobby empresarial” atua sobre o legislativo travando projetos que visem avanços na legislação ambiental. Membro da ONG Elo Ambiental e do Conselho Municipal de Meio Ambiente (Comdema), Barreto acredita que esse problema representa o maior obstáculo para o desenvolvimento sustentável. “No legislativo existe a ignorância e os lobbys atuando contra o meio ambiente. Com certeza o interesse do lucro é o fator que mais vai contra a preservação e a recuperação do meio ambiente, por considerar que toda área deve ser explorada economicamente”; analisa o ambientalista.

Um exemplo desse tipo de ação ficou evidente em março deste ano, quando um conjunto de 51 organizações ligadas a preservação ambiental, povos indígenas e agricultores familiares divulgaram um manifesto em que denunciam o que seria um “lobby” das empresas dos setores de cosméticos, fármacos, limpeza, química e agronegócio na tramitação do Projeto de Lei da Câmara (PLC) nº 2 (antigo PL 7735/2014). O projeto pretende facilitar o acesso e a exploração econômica dos recursos genéticos e conhecimentos tradicionais da biodiversidade. Apesar do manifesto, as entidades que o assinam estão longe de conseguir fazer frente aos interesses representados pelo projeto de lei em questão.

Editado por Isabella Pastore

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