Entenda porque algumas lembranças reaparecem

Por Raíssa Bazzo

Já ouviu falar sobre memória involuntária? E memória seletiva? Imagine-se caminhando pela rua quando, de repente, um flash da infância vem à sua cabeça. Pior ainda, um flash de uma situação muito embaraçosa e vergonhosa. Esses flashbacks são extremamente normais e possuem o nome de memória involuntária.

Paula Bianchi, terceira, da esq. para dir., na infãncia. (Foto: divulgação)
Paula Bianchi, terceira, da esq. para dir., na infãncia. (Foto: arquivo pessoal)

O cérebro retém informações sobre eventos traumáticos e, segundo a psicóloga Karina Saraiva, não excluímos nenhuma lembrança, essa memória fica guardada em nosso inconsciente.

Karina explica que isso acontece porque associamos algum acontecimento presente que traz de novo à tona essas situações embaraçosas. “A memória involuntária acontece quando algumas lembranças vêm a ser despertadas, por alguma sensação, como cheiro, sabor, barulho, algo que aguce nossa sensibilidade”, diz.

Letícia Gagliardi relembrando momentos e imagens. (Foto: Raíssa Bazzo)
Letícia Gagliardi relembrando momentos e imagens. (Foto: Raíssa Bazzo)

Você aprende associando experiências com os resultados. Esta é a psicologia clássica. Ivan Pavlov, famoso psicólogo russo, costumava tocar um sino antes de alimentar seus cães. Eventualmente, os cães começaram a salivar na expectativa de alimentos apenas ao ouvir o som do sino.

O mesmo acontece com memórias traumáticas ou socialmente embaraçosas. Seu cérebro traz de volta sensações desagradáveis, como medo e/ou vergonha, quando ele se encontra em uma situação semelhante à do evento original. Isso pode acontecer talvez por um sentimento de culpa, dependendo do contexto da lembrança. “A memória seletiva foi designada por Freud como amnésia infantil, que age de uma forma inconsciente para proteger a criança de más lembranças. A memória seletiva ajuda a reprimir acontecimentos pós traumáticos ou indesejáveis para o ser humano, lembrando que essas lembranças, quando não devidamente cuidadas, podem contribuir para ter doenças degenerativas”, explica Karina.

A memória seletiva pode explicar a existência de algum trauma ou fobia, pois as pessoas tendem a querer apagar a memória para que isso não venha conscientemente para o presente, o que faz gerar ansiedade.

Para a maioria das pessoas, as memórias involuntárias são apenas mais um modo de se sentir envergonhado e constrangido. Mas essas memórias também podem resultar em doenças cognitivas mais graves, como depressão e fobia social. Portanto, se você não se sente a vontade para sair de casa após uma dessas lembranças, procure um especialista.

Editado por Mona Carolina

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