Com tumulto, audiência na câmara de Campinas é cessada e fica sem data para próxima sessão

Por Paula Rodrigues

Vaias, ofensas e confusão marcaram a audiência pública, nesta segunda-feira (1º), na câmara de Campinas, na qual discutiu a inclusão na Lei Orgânica do projeto de resolução que proíbe discussões sobre ideologia de gênero em escolas municipais da cidade. Participaram cerca de 200 pessoas favoráveis e contrárias a proposta do vereador Campos Filho (DEM).

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Pouco depois de começar, houve um princípio de confusão, empurra-empurra e gritos, parando a audiência por quase 10 minutos. A Guarda foi chamada para acalmar os manifestantes, porém, as ofensas e vaias foram até o final. Com o clima de tensão entre os presentes e as inúmeras interrupções durante o debate, a audiência não foi concluída e haverá uma nova reunião para dar continuidade.

O plenário contou com vereadores contrários ao projeto, representantes de coletivos feministas e LGBT, e também com vereadores que apoiam o projeto e os seus convidados. Na plateia, hinos e cartazes dos dois lados: propondo discussão sobre ideologia de gênero e os que estavam em favor da família.

Marie Castaneda, do Cêntro Acadêmico de Ciências Humanas da Unicamp, CACH, acredita que o projeto legitima a violência contra os LGBT. “A audiência retratou bem as intenções dos vereadores de Campinas, eles querem passar uma lei que impede uma discussão de gênero na sala de aula, enquanto o Brasil é o país que mais assassina LGBT no mundo e onde 44% dessas pessoas já tentou suicídio” pontua.

Campos Filho, ao ser chamado, foi um dos maiores momentos de vaias do público contrário e de aplausos e apoio dos que eram a favor. Ele afirmou, em seu discurso, “o que se quer é colocar a ideologia de gênero no lixo, que é o lugar onde ela deve estar” e recebeu muitos gritos o chamando de “homofóbico” “assassino” e, novamente, vaias. Os participantes a favor da família, no entanto, o aplaudiram em pé.

O vereador Jorge Schneider (PTB) também foi um dos mais vaiados, durante sua fala, afirmou estar feliz porque desta vez os manifestantes não viraram de costas enquanto ele falava, mencionando a audiência da semana passada (27), em que o público teve essa atitude e ele, na ocasião, disse “é o que eles mais sabem fazer: ficar de costas”. Nesse momento, os manifestantes e seus representantes à mesa, viraram de costas o vaiando.

Pilar Guimarães, da Marcha das Vadias, durante seu discurso à mesa, disse: “Não interessa se são duas mulheres, dois homens, uma mãe solteira. O importante é o carinho, o amor e o cuidado entre os membros da família. Lutamos pela igualdade de gêneros. As crianças precisam aprender desde cedo nas escolas noções de respeito, dignidade e cidadania”.

A audiência terminou às 17h, como previsto, e foi definido que será marcada uma nova sessão.

Editado por Isabella Pastore

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