Da Unicamp para o mundo: Movile é número 1 em aplicativos da categoria infantil da América Latina

Por Agnes Shinozaki

Um grupo de jovens meninos que estudavam na Unicamp e tinham um sonho: inspirados na Ambev e na Embraer, decidiram que iam ganhar o mundo, mas como? Em 1998, nasceu a Movile. Numa incubadora de empresas da universidade, a pequena startup surgiu com outro nome: Intraweb, que tinha como primeiro objetivo criar intranets para empresas. Com o passar dos anos a startup cresceu, juntou-se e comprou outras empresas e hoje conseguiram chegar onde jamais imaginavam. Depois de várias tentativas que não deram certo, mudarem de nome várias vezes e até de modelo de negócios – o foco original era o mercado corporativo, e passou a ser o usuário final das operadoras de celular – a Movile se tornou o que é hoje. Depois de muita pesquisa de mercado e bagagem de experiências, em 2010 a empresa ganhou o nome atual. E mais um mudança estratégica: o foco passou a ser a inclusão digital através de serviços móveis em países emergentes. No mesmo ano, uma fusão entre Movile e Cyclelogic resultou numa expansão para a América Latina. Eduardo Henrique, co-fundador, fez uma palestra para os atuais alunos da faculdade de Ciência da Computação, que cursou há quase 20 anos, e contou como foi o passo a passo da caminhada até aqui. “Nós éramos insignificantes no mercado. Éramos cinco empresas nanicas que precisavam de uma estratégia boa. A gente fez 50 tentativas, 50 projetos e aplicativos e só dois deram certo”. Muito certo: o iFood e o Play Kids. O iFood era uma startup com muito potencial que recebeu investimento da Movile a partir de 2013. É um software de delivery de comida que, antes, tinha 93% das compras no computador e apenas 7% no smartphone. Um ano e meio depois, esse índice mudou drasticamente: 70% dos pedidos era feitos pelo celular. A quantidade também se multiplicou: de 15 mil compras ao mês, para 500 mil. “A gente conseguiu empurrar os caras no negócio deles com o nosso know how de dez anos de erros e aprendizado. Mas também erramos: já tentamos investir em startups de games e deu tudo errado. Essa empresa já tinha um produto maduro. O iFood passou a ser um guia para a gente, de ajudar empresas que precisam crescer, e não inventar”, diz Eduardo. Hoje a empresa foi comprada pela Movile e é líder na America Latina em pedidos de delivery pelo celular. O Play Kids é o grande orgulho dos criadores, mas também passou por um longo processo de estudo e erros até o produto final. “A cada etapa, a cada desenho a gente chamava as crianças e validava com elas. A gente desenvolveu um Play Kids que usava tecnologia de streaming (mesma do Youtube, por exemplo) e a criança não esperava o vídeo carregar. Ela apertava o botão de sair, o botão do pânico”, explica o co-fundador. Tiveram que trocar tudo, perto do lançamento. Deu certo. O aplicativo deu tão certo que, em 2012, Eduardo se mudou para o Vale do Silício, na Califórnia, polo tecnológico, para continuar desenvolvendo e coordenar a expansão global. Hoje o Play Kids tem 10 milhões de usuários e é o maior app do mundo na categoria infantil. “Dá pra ser um projeto que vai começar numa sala aqui do lado, e depois de muito suor e muito erro, chegar lá nos Estados Unidos e ganhar da Disney”, diz Eduardo. Como resultado de todo esse trabalho, a Movile virou case de estudo na Universidade de Stanford, uma das maiores do mundo, o que causa, ao mesmo tempo, segundo Eduardo, orgulho e vontade de continuar crescendo e acreditando no potencial brasileiro. “Nós estamos abertos a investir em novas startups nas áreas em que nós atuamos, por exemplo no mercado do iFood ou para crianças, como o Play Kids”, afirma. I

ncubadora x Aceleradora

Incubadoras e aceleradoras são empresas chamadas de “Angels”, que investem e ajudam as startups a crescerem e desenvolverem seus projetos e modelos de negócios. A Movile nasceu numa incubadora, mas recentemente surgiu uma novidade chamada aceleradora. A incubadora era mais comum e dá preferência para startups com proposta regional, considerando centros de pesquisas próximos e a indústria da região. Enquanto isso, a aceleradora foca mais no potencial de crescimento da equipe, por isso costumam procurar startups escaláveis (gráfico abaixo). Outra diferença é que as aceleradoras são geridas por empreendedores ou investidores experientes, enquanto incubadoras são administradas com base na experiência com poder público, universidades. Isso porque as aceleradoras usam capital privado, e as incubadoras aproveitam verbas públicas de editais, para si próprias e também para os incubados. Dessa forma, fica claro que a Unicamp era uma incubadora e a Movile, atualmente se caracteriza como aceleradora. Ambas as situações fortalecem a nova pequena empresa e impulsiona o crescimento, através, não só do investimento, mas também ensinamento e experiências trocadas. É necessário analisar cada proposta, cada modelo de negócios para, então, definir qual seria mais vantajoso para a startup.

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Arte: Agnes Shinozaki

Editado por Bárbara Pianca

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