Bairro histórico em Piracicaba vai ser restaurado

Por Alessandra Xavier

Um dos bairros mais antigos e tradicionais de Piracicaba, o Monte Alegre, vai começar a ser revitalizado ainda neste ano. O projeto de arquitetura, decoração e paisagismo idealizado pela iniciativa privada promete dar início à reforma da antiga Usina Monte Alegre, que há mais de 40 anos, está fechada.

O Engenho Monte Alegre foi construído na década de 1800 (Foto: Alessandra Xavier)
O Engenho Monte Alegre foi construído na década de 1800 (Foto: Alessandra Xavier)

O empresário e proprietário das terras e dos edifícios da antiga usina, Wilson Guidotti Junior, junto com os empresários Bruno Fernandes Chamochumbi e Eduardo Pelaes, lançaram o Village Arte Decor.

As quatro décadas em que os edifícios ficaram fechados fizeram com que sobrassem apenas paredes descascadas com musgos, poucas telhas velhas e quebradas, portas de madeira dilatadas e uma áurea que deixa uma sensação de abandono e esquecimento. O proprietário Wilson Guidotti afirma que está esperando por essa oportunidade de reerguer o bairro há 15 anos. “Até agora foram feitas mudanças pontuais aqui, como a revitalização da capela. Mas o local precisa ser todo erguido novamente e esse projeto vai ser o primeiro passo”, afirmou.

Para o empresário e um dos idealizadores do projeto, Bruno Chamochumbi, “o bairro é muito amado e tem muita história com a população, muita tradição”. Além disso, Bruno afirmou que ter como base a arquitetura da época, mesmo que precária, ajudou no andamento do projeto. “Não foi caso pensado, foi descaso. Graças ao que restou da arquitetura, temos como trazer à tona toda esta beleza, charme, tradição e história daquele bairro que era auto-suficiente”.

O bairro

A comunidade surgiu aos redores da Usina Monte Alegre. Pedro Morganti: esse é um dos nomes responsáveis pelo nascimento do bairro na cidade. Um dos inovadores no quesito “usina” no Brasil, o italiano teve a ideia de unir, em uma única empresa, a matéria prima (cana) e o produto acabado (álcool). Assim, suas usinas plantariam e produziriam ao mesmo tempo. O local escolhido para colocar tudo isso em prática foi o antigo Engenho Central de Monte Alegre, como era conhecido na época, em 1910.

Monte Alegre não era apenas um lugar onde se trabalhava ou se morava. Lá vivia-se. Esse era o lema do comendador Morganti. Embora uma comunidade rural, não faltava o conforto dos pequenos centros urbanos: as casas eram de boa construção, de tijolos, cobertas de telhas e servidas por rede de água tratada e esgoto, além de completas instalações elétricas. Além disso, a comunidade contava com ambulatório, escola, cinema e até time de futebol.

Uma das construções marcantes do bairro é a Capela Monte Alegre, construída no alto da colina e voltada para os canaviais e para a usina. Ilustrada pelo italiano Alfredo Volpi, um pintor famoso da época e conhecido até hoje.

A capela Monte Alegre foi inspirada pela Igreja de Bozzano (IT) (Foto: Alessandra Xavier)
A capela Monte Alegre foi inspirada pela Igreja de Bozzano (IT) (Foto: Alessandra Xavier)

O projeto

O Village Arte Decor pretende trazer a história do bairro de volta, além de ampliar o fluxo de visitantes no local. “A ideia é inovar, reciclar o conceito de mostra. Não será algo estático, sem vida. É um evento que permite interação com o público e, para isso, acontecer no Monte Alegre é muito importante”, afirma Chamochumbi.

O evento vai acontecer em um espaço total de 4 mil metros quadrados divididos em 27 ambientes internos e externos. O projeto reúne profissionais de várias áreas de atuação na região. Cada casa vai ser restaurada por um arquiteto/engenheiro e ambientalizado diversificadamente, com música, gastronomia, artes plásticas, entre outros. Parte da renda será destinada também ao Fundo Social de Solidariedade.

Porém, para iniciar essa revitalização tão esperada pelo proprietário e pelos moradores do bairro, os projetos precisam ser aprovados pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Piracicaba (Codepac) e está Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado (Condephaat), pois Monte Alegre já é tombado pelo primeiro órgão e está em estudo para o tombamento pelo segundo.

Outros tempos

Para a moradora Ana Paula Xavier, que passou toda a sua infância no bairro, mudou-se para a cidade quando adolescente e voltou para lá após trinte e sete anos, a revitalização não vai fazer com que o bairro seja o mesmo de antigamente. “São outros tempos, outras pessoas, outro modo de vida. Monte Alegre era uma pequena cidade vivida apenas pelos trabalhadores da usina. Agora o que eles vão fazer é um polo turístico para trazer gente de fora, vai ser totalmente diferente”. Porém a moradora acha de extrema importância reerguer o bairro. “O lugar é riquíssimo, tem muita história e não pode ficar abandonado. Mesmo virando um pólo econômico e turístico, ele precisa estar em ordem e bem cuidado”, afirmou.

Editado por Beatriz Bressam

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