Setor ótico cresce abaixo do estimado devido crise econômica e obriga lojistas a se reinventarem

Por Rosangene Santos

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Estande de óculos nas óticas Betty. Mercado ótico cresceu abaixo do estimado em 2014. (Foto: Rosangene Santos)

O setor ótico que vinha em crescimento durante anos, movimentando a economia, freou com a crise econômica do país. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria Óptica, a Abiótica, que reúne fabricantes, importadores e varejistas do setor, afirma crescimento abaixo do estimado, ficando em 3%. Bem aquém dos 15% a 20% previstos. O faturamento em 2014 foi de R$ 23,1 bilhões. Entretanto, desse total, metade ficou no mercado informal.

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Óticas apostam em descontos como promoções para atrair consumidores. Ótica localizada no shopping D.Pedro em Campinas (Foto: Rosangene Santos)

Para superar a crise, os lojistas apostam em promoções como “Leve 1 óculos e ganhe uma consulta”. Não é difícil encontrar no centro da cidade de Campinas lojas que garantem essas consultas. O consumidor no entanto, deve ficar atento a essa prática. De acordo com o Código de Defesa do Consumidor e pelo Código de Ética do Conselho Federal de Medicina a oferta por parte da ótica de consulta gratuita aliada desconto na compra, caracteriza-se venda casada, e é proibido por lei. Para denunciar, o consumidor deve entrar em contado com o Procon pelo telefone 152.

Lojista há seis anos, Elizabeth Xavier aponta que devemos ficar atentos a essas promoções. “As óticas colocam consulta no seu óculos por que você já está retido ali com ela, sua consulta tá lá você não consegue fazer em outro lugar o óculos ela aproveita você paga um preço ali agora não sei até que ponto vale a gente correr atrás do cliente que ele tá com dificuldade de comprar entendeu?” diz a lojista

Para Elizabeth o momento é de planejamento. Tanto das óticas quanto para o consumidor que deve se planejar ao comprar em momentos de crise econômica para não contrair uma dívida maior que o orçamento. “O movimento caiu para todo mundo que vem aqui fazer orçamento. Não adianta a gente socar produto se ele não vai conseguir pagar, então eu dou desconto, vejo até que ponto ele vai conseguir pagar. No mais é uma promoção mesmo, um chamariz. A pessoa só vai fazer óculos se for necessário, por que todo mundo agora está buscando a necessidade, o supérfluo fica de lado” finaliza a lojista.

Maria Aparecida, cliente da loja concorda com a atitude. “Tá certo, tem que pensar mesmo no momento. Eu venho ás vezes aqui para apertar os óculos e todo ano eu faço, mas a gente não pode escolher o mais caro só por que é da moda. Tem que pensar no uso e no bolso” comenta.

Mercado informal

Aliado a crise econômica, os lojistas também sofrem com o mercado informal. Dos R$ 23 bilhões obtidos no mês passado, metade desse total ficou no mercado informal.

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4 em cada 10 pessoas compram óculos pirateados, de acordo com a Abiótica. (Arte: Débora Nascimento)

A maior parte dos óculos de sol, de grau e armações irregulares tem origem chinesa e é vendida por camelôs e nas bancas de comércio popular. A região sudeste concentra 57% das vendas desses produtos.

Mesmo com a lei de 10 de janeiro de 2015 que proíbe a comercialização de lentes e óculos, não é difícil encontrar pontos de vendas nas cidades da região de Campinas.

De acordo com uma pesquisa realizada pela Abiótica, 4 em cada 10 pessoas compram produtos óticos como óculos de sol, grau ou armações piratas.

Além de representar um dano para a economia, esses óculos representam risco para a saúde por não serem testados. Para o médico oftalmologista, diretor da SOBLEC (Sociedade Brasileira de Lentes de Contato, Córnea e Refratometria), Marcelo Sobrinho, ao comprar um óculos pirateado o consumidor está colocando em jogo a saúde dos olhos. “Comprar óculos pirateado pode ter vários riscos. Além disso se você compra óculos pirata pode vir com imperfeições na lente e vir sem proteção contra raio ultravioleta” afirma.

Sobrinho, ressalta a importância da consulta oftalmológica até para a prevenção de doenças. “Primeiro você tem que fazer um exame oftalmológico. Nesse exame você vai ver não só o exame de grau, mas ver se tem glaucoma, a pressão do olho”.

Os médicos indicam

A periodicidade de se ir ao oftalmologista ainda é um tabu. Muitos divergem na hora de saber quando marcar a consulta. O aposentado Lourival da Silva, 71 anos, diz só passar quando necessita. “Eu já tenho uma certa idade, mas sempre enxerguei bem. Só quando dá aquela bobeada mesmo na visão que a gente passa né?”, admite o aposentado.

Os médicos alertam para o risco dessa atitude, já que muitas vezes a dificuldade de visão está associada a outras doenças. “Quando a pessoa não tem nenhuma doença, diabetes, hipertensão, uma vez por ano é suficiente. Agora, doenças que podem trazer doenças pros olhos, como a diabetes pode trazer uma doença na retina chamada  retinoplatiadiabética, essa pessoa só vai conseguir diagnosticar isso se for fazer o exame do fundo do olho, então geralmente pessoas que têm diabetes têm que ir mais de uma vez o ano”, conclui Sobrinho.

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Ir periodicamente ao oftalmologista garante a saúde dos olhos (Arte: Débora Nascimento)

Editado por Bárbara Pianca

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