Download de CDs é melhor opção para divulgar novos artistas

Por Willian Sousa

O cenário musical é uma das vertentes artísticas que mais passa por mudanças. Com a expansão da internet e a possibilidade de encontrar qualquer música a um clique de distância, os vinis e os CDs mais parecem ideias malucas de armazenamento de canções. Não é para menos, a venda de CDs no Brasil passou por uma queda considerável durante três anos consecutivos, de acordo com a Associação Brasileira dos Produtores de Discos. A troca foi pelo serviço de streaming, que representa hoje a maior parte de faturamento  de música digital (51%) no país, e pelo de downloads, que engloba 30% desse mercado. Também segundo a ABPB, o lucro desse modelo de obtenção de música se igualou ao proveniente de CDS pela primeira vez, considerando o mercado global.

Fica claro, portanto, a mudança dos meios de transmissão de música. No entanto, nem todo mundo cobra por isso. O cenário musical independente representa, hoje, uma grande fatia da produção cultural brasileira. Na realidade, Marcelo Santiago (fundador do meio desligado, um dos maiores portais de música independente brasileira), acredita que esse grupo representa a maior parte das músicas feitas no mundo. “Só que apenas nas últimas décadas esses artistas têm alcançado mais repercussão”, comenta. E isso se deu pela forma com que o produto é livremente divulgado hoje, sem a necessidade da intervenção de grandes gravadoras ou de estúdios que procuram apenas artistas já consagrados.

Uma das principais formas de divulgação é a disponibilização dos discos para download. Para Marcelo, “a produção é enorme e em meio a uma oferta tão grande é preciso facilitar o acesso do público ao que o artista está produzindo”. No entanto, para um público que não conhece esses grupos musicais independentes – por não fazerem parte da programação do rádio ou das trilhas de novela – a saída é tornar esse download gratuito. Mais de 70 artistas figuram no portal online Musicoteca, espaço que divulga artistas independentes e compartilha os álbuns produzidos. E o número continua crescendo. Bandas como 5 a seco, Teatro Mágico, Filarmônica de Pasárgada e Móveis Coloniais tiveram seu início na internet.

“Isso não inviabiliza a venda do produto físico, ele só precisa apresentar algum diferencial que justifique a compra. A música online gratuita é a porta de entrada para o trabalho de um artista”, afirma Marcelo. E é o que realmente acontece. Dois exemplos que confirmam essa afirmação é o cantor Cícero e a banda paulistana O Terno. O primeiro, na ativa há pouco menos de quatro anos, montou seu disco de estreia tocando todos os instrumentos em sua própria casa e colocou o CD para download gratuitamente. Funcionou: ganhou dois prêmios Multishow de Música Brasileira. Hoje, vive de agenda lotada e consegue lucrar com shows por todo o Brasil.

Com os meninos da banda O Terno não foi diferente. Lançaram em 2012 o disco 66 – também na internet de forma gratuita -, que foi parar na lista da revista Rooling Stones dos 25 melhores álbuns brasileiros do ano. Conseguiram, com o alcance do primeiro disco, um financiamento coletivo pelo Catarse para produção do segundo álbum, que também foi colocado na internet para download. Percebe-se que a melhor forma de divulgação, considerando o público fugaz que facilmente se distrai e não tem paciência para testar novos artistas investindo monetariamente nisso, é a internet – local que os jovens passam, hoje, boa parte do tempo livre.

Marcelo acredita que esse modelo, apesar de prático, aumenta a volatilidade na relação com a música. “O lado positivo disso é que se tem acesso a uma variedade maior de produções, mas, por outro lado, a fugacidade às vezes impede que se aprofunde na relação com uma obra”, opina. No entanto, acredita que é esse o caminho, ao menos para o futuro próximo. Dessa forma, artistas que se encontram fora de grandes gravadoras podem apresentar seu trabalho ao público e, caso o som for realmente bom, ganharem o reconhecimento que merecem. Quem sai ganhando, no final das contas, são os amantes da boa música.

Editado por Bárbara Pianca

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s