Ciência sem Fronteiras e os desafios dos estudantes quando voltam

Por Alícia Fusco

O Brasil é um dos países que mais manda seus alunos para o exterior, segundo o relatório anual do Institute of International Education (IIE), o Open Doors, entre os anos de 2013 e 2014, o número de estudantes matriculados em instituições de ensino superior dos Estados Unidos foi para 13.286. Em apenas um ano, a quantidade de intercambistas brasileiros nos EUA subiu 22,2%, o que fez o Brasil subir da 11ª para a 10ª posição no ranking de nações que mais enviam estudantes para o país. Com números tão altos é de se imaginar que o país possua programas para a reinserção de alunos no mercado, ou até mesmo feiras e oficinas para que os jovens possam transmitir os conhecimentos adquiridos durante os estudos, porém além do ganho pessoal com a experiência, o programa não traz grandes benefícios para a sociedade brasileira como um todo.

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Brasil está entre os dez países que mais enviam estudantes para os Estados Unidos (Arte: Alícia Fusco)
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A universidade Davis da Califórnia é uma das que recebe alunos brasileiros (Foto: arquivo pessoal/Fernando Maso)

Na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), uma das maiores do país, isso não é diferente. Os alunos que voltam do Programa Ciência sem Fronteiras, não possuem muitas chances de compartilhar suas experiências com os colegas, e apenas em alguns cursos, é feito uma discussão sobre o aproveitamento dos jovens. De acordo com Mariana Pereira, assistente da coordenadora do Ciência sem Fronteiras, “quando eles voltam, a universidade disponibiliza um formulário  no site para que os alunos contem suas impressões. Alguns centros, como a faculdade de engenharia química, entram em contato com os jovens e procuram saber detalhes dos projetos realizados por eles durante o período em que estiveram fora. Esse tipo de feedback é feito dentro de algumas unidades apenas. Infelizmente a UNICAMP não tem um programa abrangente para esse tipo de coisa.”

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O estudante de Engenharia Mecatrônica, Fernando Augusto Maso, participou do Programa Ciência sem Fronteiras na Universidade da Califórnia Davis (Foto: arquivo pessoal/ Fernando Maso)

O estudante de Engenharia Mecatrônica da UNICAMP, Fernando Augusto Maso, participou do programa na Universidade Califórnia Davis e acredita que as experiências adquiridas foram de grande valor para sua vida acadêmica, entretanto, é preciso se atentar a alguns pontos que fazem com que a experiência não seja perfeita. “Não existe essa obrigação de relatar a experiência ou de gerar algum tipo de documento”. Para o jovem, há muita coisa boa que poderia ser transmitida por meio dos conhecimentos adquiridos, e a troca de experiências também seria um ganho para a população. “Eu acredito que uma parte desse conhecimento está deixando de ser transmitida. Talvez uma espécie de relatório final, ou um portfólio relatando a experiência poderia ajudar esse aprendizado a alcançar mais pessoas. Tenho um conhecimento a compartilhar, principalmente com outros alunos que estão ou pretendem participar do Programa Ciência sem Fronteiras.” Infelizmente, quando os jovens voltam, nem sempre conseguem aproveitar tudo que aprenderam no exterior. Isso se deve principalmente ao fato da incompatibilidade de carga horária ou mesmo porque, o curso estudado não possui vertentes aqui no Brasil o que mostra que o Programa apesar de muito bom, precisa de ajustes para que os brasileiros tirem mais proveito das experiências.

Edição: Bárbara Pianca

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