Pessoas viciadas em trabalhar buscam tratamento psicológico

Por Vinicius Tavares

Audrey (esquerda) procurou tratamento psicológico por causa de seu vicio em trabalho (Foto: Vinicius Tavares)
Audrey (esquerda) procurou tratamento psicológico por causa de seu vicio em trabalho (Foto: Vinicius Tavares)

O vício em trabalho ou workaholismo não consta na CID (Classificação Internacional de Doenças), mas pode desenvolver outras doenças, ou até mesmo levar à morte, como no caso do estagiário de um banco alemão Moritz Erhardt, 21, que faleceu após uma jornada exaustiva de 72 horas.

Segundo pesquisa da UNICENTRO (Universidade Estadual do Centro-Oeste do Parána) existem dois tipos de perfis parecidos, e que podem ser confundidos, o “Workaholic” e o “Worklover”. O “workaholic” seriam pessoas que consideram o trabalho como fator primordial em suas vidas, seja por necessidade de sobrevivência ou por motivos como realização profissional, pessoal ou ainda questões financeiras. Essas pessoas demonstraram uma maior predisposição para se tornar um “workaholic” em potencial. Já o “worklover’” são pessoas que enfocaram o trabalho como fator importante em suas vidas, tem um maior equilíbrio entre trabalho e vida pessoal.

Segundo a psicóloga Natália Hildebrand é normal que os workaholics trabalhem demais e não conseguam se desligar do trabalho quando estão em casa, ou seja, verificam e-mails da empresa no seu tempo livre, acompanham os resultados de projetos mesmo quando estão em férias, e muitas vezes abdicam da vida social para estarem mais integrados no âmbito profissional.

Audrey Canova, 38, é vendedora em uma loja de roupas esportivas dentro de shopping, e hoje faz tratamento psicológico decorrentes à essa intensa relação que começou a ter nos últimos anos, “eu tinha que cumprir 6 horas por dia, e acabava fazendo 7 horas, comecei a me sentir cansada, mas mesmo assim queria continuar trabalhando”. Audrey acredita que melhorou muito quando começou a ir à tratamento psicológico, “acho que além do cansaço, o que mais começa a sentir era um desespero”

Esse desespero que a vendedora descreveu é considerado normal para Híldebrand, além como ansiedade, depressão, insônia, instabilidade emocional. A psicóloga acredita que esse “boom” de mulheres que procuram tratamento psicológico por conta de vícios em trabalhos se dá pelo aumento de competitividade do mercado. “O mercado de trabalho acaba direcionando para você trabalhar de determinada maneira, e a pessoa fica cada vez mais pressionada”, revela.

 

 

Editado por Ananda Porto

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