Mulheres com câncer de mama apostam em técnicas para reconstrução, apesar de complicações

Por Marília Alberti

O Caism (Centro de Atenção Integral da Saúde da Mulher) da Unicamp, localizado em Campinas, atende 9.269 mulheres por ano. Destas, cerca de 10%, com câncer de mama, sofre complicações após a reconstrução do seio, seja por infecções ou necroses da pele. A cabeleireira Ana Paula Palandi, 36 anos, é uma delas. “Foi um baque, mexeu muito com a minha autoestima”, confessa.

Após descobrir a doença na mama direita, em agosto de 2014, Paula realizou a reconstrução em outubro, mas devido a uma infecção precisou retirar a prótese em dezembro. “Havia o medo, por parte do médico, de eu perder pele, por isso a opção de retirar”, diz. No entanto, a saúde veio em primeiro lugar. “Encarei tudo com muita paciência”.

Paula teve que retirar a prótese, mas está confiante para uma nova cirurgia (Foto: Marília Alberti)
Paula teve que retirar a prótese, mas está confiante para uma nova cirurgia (Foto: Marília Alberti)

Segundo Giuliano Duarte, mastologista da Unicamp, a técnica utilizada nesses casos é a mais simples, mas é necessária a sobra de pele na mastectomia. “Cada um dos tipos de reconstrução tem seus benefícios e suas complicações. Não sobrando muita pele, ou seja, o tumor é grande e acomete a região, nós precisamos usar as próteses expansoras”, explica.

A radioterapia, parte do tratamento e feita após a mastectomia, é outro fator que pode contribuir com as complicações, e assim, ocasionar a extrusão da prótese, infecções e contraturas. “A paciente é orientada pela equipe médica a qual cirurgia de reconstrução ela será submetida e qual é aconselhável para ela”, destaca Giuliano.

A técnica tram, realizada com apoio da gordura abdominal, e a grande dorsal, com tecido adiposo do dorso, são também constantemente utilizadas. “A rejeição é muito rara”, afirma o doutor. Em junho, após o término das quimioterapias, Paula passará por nova consulta para saber se tem condições de uma nova tentativa de reconstrução. “Acredito que agora vai ser mais fácil. Nem passou pela minha cabeça não dar certo”, diz confiante.

Após a retirada da mama, através da mastectomia, a cirurgia é feita com o objetivo de minimizar os impactos negativos ao corpo da mulher. Em abril de 2013, a presidente Dilma Rousseff sancionou uma lei que prevê ao SUS (Sistema Único de Saúde), a reconstrução, quando forem constatadas condições médicas.

Confira no vídeo abaixo a explicação mais detalhada do mastologista Giuliano Duarte:

Esta reportagem foi produzida para o projeto “Repórter Estudante”, da CBN. O áudio pode ser conferido abaixo:

Edição: Bárbara Pianca

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