Pesquisa mostra que morar próximo de árvores diminui chances de depressão

Por Fernando Corilow

Morar próximo de árvores pode significar menores riscos de se desenvolver depressão. É o que diz um estudo feito por pesquisadores do Instituto de Medicina da Universidade de Exeter, do Reino Unido, que foi publicado na revista científica ScienceDirect. Os resultados mostraram que menos casos de depressão são identificados quando há mais árvores por quilômetro quadrado na região em que o indivíduo mora. Segundo o estudo, por exemplo, uma árvore adicional na área significou 1,38 menos prescrições de remédios antidepressivos para a população que vive no local.

Os dados da pesquisa, intitulada de “Paisagem e Urbanismo”, foram levantados em Londres, e não foram incluídos no estudo outros espaços públicos de lazer, como os parques. Segundo os pesquisadores, porém, ainda não é possível fazer uma relação direta entre a diminuição nos casos de depressão com apenas a quantidade de árvores. O mais provável, segundo os cientistas, é que as paisagens verdes estimulem os moradores a manterem uma rotina de exercícios físicos e outras atividades que geram maior saúde, bem-estar e, consequentemente, diminuem os níveis de estresse.

De acordo com estudo de uma faculdade britânica, quanto mais árvores existem próximas às residências, menos casos de depressão são diagnosticados. (Foto: Fernando Corilow)
De acordo com estudo de uma faculdade britânica, quanto mais árvores existem próximas às residências, menos casos de depressão são diagnosticados. (Foto: Fernando Corilow)

O arquiteto e paisagista Marcelo Novaes explica que o simples fato de viver num ambiente mais arborizado é importante para “quebrar essa ansiedade que os grandes centros e a vida atribulada de hoje em dia passam.” Novaes explica que as árvores próximas às residências trazem a sensação de “sair do sufoco e entrar num lugar melhor, totalmente diferente do que aquela pessoa vinha sentindo até lá”. As árvores e jardins, segundo o arquiteto, trazem a sensação de bem-estar e tranquilidade; é como “trazer a natureza para dentro do concreto”, explica.

Novaes também relata que a questão da arborização vem sendo cada vez mais valorizada na arquitetura: “De uns 15 anos para cá, o projeto paisagístico se tornou tão importante quanto o arquitetônico.” Ele explica que essa é uma preocupação cada vez mais comuns nos clientes, tanto nos projetos mais simples quanto nos mais elaborados. “O objetivo da arquitetura paisagística é utilizar todos os artifícios para trazer a natureza mais próxima do homem, o que gera uma relação muito gostosa”, conta o arquiteto.

Histórias

Além da pesquisa, as próprias pessoas que escolheram morar próximos à natureza relatam os benefícios físicos e mentais de uma vida mais verde. O músico da Orquestra Sinfônica de Campinas João Leite, por exemplo, apesar de trabalhar na cidade campineira, optou por continuar vivendo numa chácara em Piracicaba, cidade onde nasceu e onde ainda vive próximo à família, cuja convivência ensinou a ele “a gostar dessa coisa do esforço físico, de estar no Sol, de plantar e colher, de ver crescer”. Leite explica que a sua vida no campo “é algo como a minha academia. É onde eu mantenho o meu corpo em forma, a minha mente sã e onde eu consigo me manter o máximo possível perto das minhas origens”, diz.

A contadora aposentada Ivani da Silva compartilha da visão do músico. Há mais ou menos 30 anos, ela e sua família saíram de Campinas e mudaram-se para Orizona, uma cidade rural no Estado de Goiás, com aproximadamente 15.000 habitantes. A mudança, conta a aposentada, foi por um antigo sonho de morar numa fazenda, além da busca de uma melhor qualidade de vida.

Segundo ela, a vida que leva na pequena Orizona acumula menos estresse do que em Campinas. “Aqui nós também sentimos, mas com menos intensidade do que em uma cidade grande como Campinas.” Ivani explica que aprecia a vida no campo e a proximidade com o meio-ambiente: “Acordo todos os dias com um canário cantando no pé de pitanga em frente ao meu quarto. Minha relação com a natureza é ótima!”, conclui.

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