Mães depois dos 30 anos: mulheres que adiam gravidez em busca de estabilidade pessoal e profissional

Por Carolina Dias

Segundo estudo feito pelo Saúde Brasil e divulgado pelo Ministério da Saúde, o relógio biológico não é mais visto como uma barreira à maternidade. O número de mulheres que planejam a gravidez depois dos 30 anos está crescendo no país. O percentual subiu de 22,5% em 2000 para 30,2% em 2012.

“A tendência decorre do avanço da mulher no mercado de trabalho e da implementação dos métodos anticoncepcionais. Muitas vezes, isso gera uma mudança de comportamento da mulher, que se preocupa em consolidar uma carreira estável primeiro”, explica Bárbara Cobo, pesquisadora de indicadores sociais do IBGE.

Este é o caso de Anita Judice que, depois de muito priorizar o lado profissional e outros aspectos da vida pessoal, teve o 1º filho aos 34 anos. A engenheira civil, hoje aposentada, resolveu se casar somente depois dos 30 anos pensando em ter a vida profissional mais definida e a financeira mais segura.

“Ser mãe mais velha pode ser muito positivo, desde que a mulher esteja fisicamente apta para engravidar. Com a vida profissional, financeira e pessoal bem resolvidas, você tem mais chance de criar os filhos com tranquilidade”, relata.

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Judite e os filhos, ambos frutos da gravidez depois dos 30 (Foto: arquivo pessoal)

Com a empresária Ivanisa Correia foi um pouco diferente. Ela foi mãe antes e depois dos 30! Aos 24 anos teve a primeira filha, Camila; aos 27 teve a Carolina e, aos 43 nasceu a Clara. Questionada sobre a diferença de ser mãe aos 20 e aos 30, ela responde: “Quando você é mãe mais velha, você tem mais experiência, então com certeza é mais tranquilo! Mas, por outro lado, é um pouco mais cansativo porque você não tem a mesma disposição que tinha quando jovem. Além disso, por causa da grande diferença de idade entre a primeira e a última filha, eu acabei me sentindo mãe de primeira viagem de novo”.

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As três filhas de Ivanisa, mãe antes e depois dos 30 (Foto: arquivo pessoal)

Gravidez tardia requer cuidados especiais

A Organização Mundial de Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde definem como “gravidez tardia” a que ocorre nas mulheres com mais de 35 anos. A gravidez nessa idade aumenta a probabilidade do filho nascer com síndrome de Down e aumenta o risco da mãe desenvolver hipertensão, diabetes ou de apresentar uma doença de base pré-existente.

No site pessoal, a obstetra Tânia Regina Schupp Machado, que trabalha no Departamento de Obstetrícia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, onde é responsável pelo setor de gestantes com idade avançada, mantém um artigo onde fala sobre o tema. A obstetra ressalta que, a mulher com mais de 35 anos deve procurar o médico antes de engravidar para a realização de exames laboratoriais de rotina e avaliação clínica.

“Na atualidade, tem sido destacado que, mais importante do que a idade da gestante, seriam suas condições de vida e saúde, bem como a qualidade da assistência no pré-natal e no parto. Portanto, se a mulher optar por engravidar mais tardiamente, a gestação deve ser cuidadosamente acompanhada e não desestimulada com base somente na idade. Depois dos 35, a gravidez é de risco, mas uma paciente bem cuidada pode passar por isso normalmente”, explicou.

Editada por Isabella Pastore

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