Segundo a Secretaria de Segurança Pública 200 mil pessoas desaparecem por ano e 550 por dia no Brasil

Por Marcela Castanho

Perder algo é difícil. Perder uma mãe….

Para Anderson Menezes a perda da figura materna foi muito precoce. Ainda na infância, aos 9 anos, Anderson viu os pais se separem e a mãe ir embora de casa. Marta Menezes desapareceu. Deixou para trás o ex marido e os dois filhos em São Paulo.

Anderson, o irmão Wesley e o pai continuaram morando em São Paulo e em 2004 mudaram-se para Limeira (146,7 km distantes da capital do estado). Os irmãos cresceram e constituíram família mesmo sem a presença da mãe.

Em fevereiro deste ano, Anderson e Wesley reencontraram a mãe, 27 anos depois do desaparecimento, e a perderam pela segunda vez. Marta, aos 56 anos, é uma paciente mental, tem lapsos de memória e comportamento, ocasionados por uma possível depressão pós parto.

Instituição Casa da Vó Mazé, em Francisco Morato. (Foto divulgada no Facebook do Jornal Tribuna Moratense)
Instituição Casa da Vó Mazé, em Francisco Morato. (Foto divulgada no Facebook do Jornal Tribuna Moratense)

Disanira Maia, a Disa, é assistente social na Região Metropolitana de São Paulo, se esforça diariamente para reconstruir famílias desmanchadas pelo desaparecimento de alguém e conheceu Marta no Instituto Casa da Vó Mazé, em Francisco Morato – SP, em setembro de 2014. Ela conta que Marta já era conhecida por alguns moradores da cidade. Viveu, por aproximadamente seis anos, em situação de rua, sempre na porta da Santa Casa local e sempre muito suja. Sobrevivia com ajuda das pessoas até um assiste social intervir e, mesmo não tendo mais de 60 anos, foi acolhida na Casa da Vó Mazé temporariamente, em 2009.

Na instituição destinada a idosos, ela contava diversas histórias diferentes sobre seu passado. Três assistes sociais tentaram ajudá-la a achar a família mas desistiram ou não conseguiram. Em novembro de 2014, Disa começou um trabalho de pesquisa com Marta e uma incessante procura pelos parentes.

Foi a partir de um documento de divórcio, guardado por uma ex vizinha de Marta, que Disa começou a investigação. Foram 3 meses de procura no Rio Grande do Norte, até localizar o ex marido em um site de relacionamentos. Disa enviou mensagens a ele e a todos os amigos dele, e conseguiu o contato dos filhos de Marta, em Limeira. “Eu pensava que ela estava morta, ai a Disa me achou no Facebook”, conta Anderson.

“Foi teima minha, encontrei por teimosia! Nós não podemos desistir nunca. Viemos de algum lugar e temos o direito de saber. Acreditei que era possível e foi só questão de tempo para garantir que ela tivesse um final feliz – final do sofrimento, não de vida”, diz Disa.

A Secretaria de Segurança Pública informa que 200 mil pessoas desaparecem por ano no Brasil, 550 pessoas por dia. No site do SSP/SP uma lista com mais de 170 adultos desaparecidos circula na internet sem sucesso. Hoje, Marta faz parte da estimativa dos 2600 casos solucionados graças a Disa.

A polícia sempre aconselha as famílias a registrarem boletins de ocorrência no caso de parentes desaparecidos. “Existe o fator preguiça e o fator determinação. Se os técnicos quisessem mesmo, eles conseguiriam ajudar mais as pessoas. Há vários boletins de ocorrência de pessoas desaparecidas por anos e muitas estão nas ruas ou em instituições”, contrapõe Disa.

Hoje, Marta mora em Limeira com Wesley, o filho mais velho. Para eles, essa história teve um final feliz. Após 27 anos, o Dia das Mãe terá um valor diferente para Anderson. “Eu nunca tive o amor de mãe e agora eu estou descobrindo como é. Tudo é muito novo e vou tentar recuperar o tempo perdido, recuperar todo o tempo de ter mãe”.

Editado por Isabella Pastore

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