Projeto prevê mais de 100 km de ciclovias em Campinas

Umas das ciclovias existentes em Campinas, na Av. Professor Atílio Martini, em Barão Geraldo. (Foto: Marina Matos)

Por Marina Matos

O Plano Cicloviário 2014-2016 de Campinas foi apresentado no último dia 10 de abril na Câmara Municipal pelo Secretário de Transportes, Carlos José Barreiro. O projeto prevê a construção de mais de 100km de ciclovias e ciclofaixas por toda a cidade, com o objetivo de promover o uso da bicicleta como meio de transporte sustentável. Tudo começou após a aprovação da Lei 13.288 de 2008, do vereador Luis Yabiku, que incentiva o uso de bicicletas como transporte para atividades diárias, além de discorrer sobre como e quais tipos de vias serão implantadas na cidade.

Por meio de nota, a assessoria de imprensa da EMDEC (Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas) afirmou que o projeto de Campinas não tem como base nenhum outro projeto já existente em outros lugares, uma vez que a Administração Municipal “determinou a construção de um modelo específico, que contemple os aspectos técnicos, construtivos e econômicos da implantação de uma rede cicloviária” na cidade.

Após sete anos, o projeto das ciclovias e ciclofaixas começa a tomar forma. Porém, de acordo com Carlos Alberto Bandeira Guimarães, professor da faculdade de Engenheira Civil da Unicamp, especialista em transportes e também suplente do Conselho Municipal de Trânsito e Transporte (CMTT) afirma que o projeto contém falhas e “não é um plano cicloviário clássico, formal, que precisa conter muito mais informações do que apenas ciclovias.”.

Para Guimarães, existe uma estrutura razoável para a construção ser finalizada nos próximos dois anos e esse é o mérito de todo o plano, uma vez que a Prefeitura já identificou as possíveis fontes de recursos para as obras. O projeto é divido em quatro fases, a primeira, de acordo com o cronograma apresentado, deve ser entregue ainda esse ano.

Carros estacionam em cima da ciclofaixa na Praça do Coco, que está mal sinalizada e sem placas de trânsito. (Foto: Marina Matos)

Hoje, em Campinas, existem 11,3 km de ciclovias (Taquaral, Taquaral Anhumas, Amarais, Barão Geraldo e Francisco de Toledo), porém em alguns lugares elas estão esquecidas, como é o caso de um dos trechos de ciclofaixa em Barão Geraldo, próximo à Praça do Coco. A pintura quase não aparece e carros são estacionados livremente em cima da faixa. E a culpa não é só dos motoristas, no local não há nenhuma sinalização de que é proibido estacionar ao longo da faixa.

Para o estudante Marcos Vinicius Serikawo, que usa a bicicleta todos os dias para ir a aula, e também para ir a lugares próximos, a manutenção das vias também é importante para o uso, como iluminação na ciclovia da Avenida Professor Atílio Martini, em Barão Geraldo. “Não tem iluminação, então é bem difícil de ver e tem muitas árvores. Sinalização mesmo só no cruzamento [com a Av. Albino José Barbosa de Oliveira]”.

Marcos Vinicius usa a bicicleta para ir a universidade e critica a falta de ciclovias. (Foto: Marina Matos)

Além das ciclovias, o projeto também prevê a construção do BRT (Transporte Rápido por Ônibus) que irá integrar os meios de transporte e facilitar a mobilidade dos usuários. E que já está com a licitação em andamento para a escolha da empresa que irá realizar as obras.

 

 

O projeto

O Projeto Cicloviário de Campinas foi desenvolvido em conjunto pela EMDEC, Secretarias Municipais, rede de cicloativistas da cidade e membros da Comissão Permanente de Mobilidade Urbana da Câmara Municipal e integrantes do Conselho Municipal de Trânsito e Transporte (CMTT).

O plano é dividido em quatro fases, a primeira fase, segundo a Prefeitura, já foi iniciada e contempla a construção de 16 km de ciclovias até o fim deste ano. A fase dois terá um dos maiores trechos de ciclovias, que será a do Campos Elíseos/Vila Aeroporto com 12,8 km. Apenas nessa fase são previstos 95 km de ciclovias, divididos em 5 lotes.  Já a terceira fase são as ciclovias interligadas ao BRT e terão 13 km de extensão.  A última fase do plano terá 52,4 km.

Sobre as escolhas dos bairros que irão receber as ciclovias, a assessoria divulgou apenas que “a rede cicloviária foi concebida como um modal de transporte para a cidade”.

A primeira fase do projeto deve ser entregue ainda esse ano. (Infográfico: Marina Matos)

Ciclovias x Ciclofaixas

A ciclovia é um espaço com separação física, que isola as bicicletas dos outros veículos. Pode ser feita com grades, muretas, blocos de concreto ou outros tipos de isolamento fixo. Existe hoje a ciclovia no canteiro da Avenida Professor Atílio Martini, em Barão Geraldo, e no projeto o canteiro central da Av. Norte-Sul seguirá o mesmo modelo. Já as ciclofaixas ocupam parte do pavimento que é utilizado por demais automóveis, contando apenas com sinalização, como a que existe em torno da Lagoa do Taquaral e próximo a Praça do Coco, Barão Geraldo.

A ciclovia deve ter separação física, como um canteiro. Já a ciclofaixa é apenas sinalizada e divide espaço com os automóveis. (Infográfico: Marina Matos)

Edição: Bárbara Pianca

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