Acolhimento familiar é opção para crianças em abrigo

Por Bruno Alves

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Campinas conta com o SAPECA e o Conviver que trabalham com acolhimento familiar (Foto: Bruno Alves)

A criança ou adolescente que é incluído em uma medida protetiva pela Justiça, na maioria das vezes, vai para um abrigo. Lá, a situação da família será analisada para saber se existem condições para o retorno da criança.Durante o tempo que a criança ou adolescente está no abrigo, o Estatuto da Criança e Adolescente(ECA) prevê que se assegure a preservação dos vínculos familiares e a integração em família substituta (Artigos 92 e 100).

Em Campinas, são dois órgãos que trabalham no sentido de proporcionar para crianças e adolescentes o convívio e a integração em um lar provisório: o Serviço de Acolhimento e Proteção Especial à Criança e ao Adolescente (SAPECA) e o Serviço de Acolhimento “Conviver”. Ambos estão vinculados à Secretaria Municipal de Cidadania, Assistência e Inclusão Social.

O acolhimento familiar é uma alternativa para que a criança ou adolescente possa viver em uma família, em vez do abrigo, tendo como período máximo, dois anos. Se neste período a família de origem não estiver preparada para o retorno da criança, ela será encaminhada para adoção.

A coordenadora do SAPECA, Adriana Pinheiro, afirma que “não existe uma cultura de acolhimento familiar no Brasil, por isso é importante que as pessoas se informem sobre o trabalho”. O processo de seleção das famílias aptas para o serviço dura em torno de 6 meses. As famílias interessadas participam de oficinas que abordam aspectos do acolhimento, legislação, violência doméstica e desenvolvimento infantil. Diante de todas temáticas as famílias dispostas a acolher recebem as crianças, mas ainda continuam com acompanhamento da instituição até que o acolhimento termine.

Rosely e Luis receberam uma menina recém-nascida de 30 dias com diversos problemas respiratórios (Foto: Bruno Alves)

Rosely Cardoso e Luis Cardoso realizaram o primeiro acolhimento familiar entre 2013 e 2015. Eles receberam uma menina recém-nascida de 30 dias com diversos problemas respiratórios.

O depoimento é carregado de emoção, pois foram dois anos de convivência com a “pequena barbie”. Luis diz que “ensinar ela a andar, falar e acompanhar o crescimento foi uma experiência renovadora”. Rosely conta que reviveu a experiência de ter uma criança sob sua responsabilidade e isso a fez se sentir viva e capaz de colaborar com a sociedade e o meio social. Para os dois a parte mais difícil foi deixar a menina ir para a adoção com uma família desconhecida.

A coordenadora do SAPECA explica que essa é uma preocupação constante toda vez que termina um acolhimento. E que “as famílias acolhedoras precisam romper um vínculo formado durante todo o período, por isso o atendimento psicológico é essencial nesse momento.”

Campinas tem 522 crianças e adolescentes em 29 abrigos entre casas de passagens, orfanatos e casa lar. O trabalho de acolhimento familiar caminha a passos vagarosos. No SAPECA são apenas 12 famílias acolhedoras e o trabalho é focado nas crianças de 0 a 3 anos de idade, porque está é uma fase do desenvolvimento que é necessário um cuidado mais próximo.

A secretaria municipal de assistência social, Jane Valente, afirma que “existe um trabalho intenso para capacitar mais famílias acolhedoras no SAPECA e Conviver, mas ainda há muitas pessoas que confundem adoção com acolhimento.”, essas pessoas procuram o serviço acreditando que isso pode acelerar o processo o processo de adoção, o que na verdade não acontece, “pois o acolhimento familiar não tem nenhuma relação com os processos de adoção”.

Para a psicóloga Adriana Pereira o acolhimento familiar pode acrescentar conceitos e virtudes importantes para o convívio social da criança e adolescente. Ela completa que “precisa ser bem orientado e em acordo com as especificidades de cada realidade, tanto das famílias de origens, como as acolhedoras e as crianças”.

Campinas conta com o serviço há 20 anos e durante esse tempo Adriana esteve envolvida nas fases do projeto. “Muitas cidades vêm aqui para conhecer a metodologia e desafios encarados pelo projeto”, revela a coordenadora do SAPECA.

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Edição: Bárbara Pianca

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