Limeira se destaca na área do saneamento no Brasil

Por Mariana Maia

Limeira fica em terceira colocação no ranking do saneamento das 100 maiores cidades onde vivem 40% da população do país. A cidade é pioneira há mais de 20 anos em terceirizar o serviço de água e esgoto.

Realizada pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a consultoria GO Associados, o levantamento teve como base os números do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS ano 2013).

O estudo avalia o desempenho dessas cidades na área de saneamento e aponta os avanços na cobertura de água e esgoto. Outros apontamentos revelam que investimentos no setor e redução de perdas de água foi um dos motivos para a boa colocação de Limeira, a qual teve pontuação máxima no baixo índice de perdas na distribuição, 14,33%.

Em 21ª posição, Campinas subiu 7 colocações, comparado ao ano passado, e isso ocorre porque houve uma redução na perda de água, de 19,3% para 19,1%, além dos investimentos no setor, que em 2013 foram de R$ 103,2 milhões, como mostra a pesquisa.

Confira abaixo o Ranking com as 20 melhores e piores cidades:

Info
(Arte: Mariana Maia)

A reportagem do Digitais conversou com a Tecnóloga em Saneamento Ambiental e Sanitária, Pós-graduada em Educação Ambiental, Maria Garbin sobre a análise desse estudo.

Digitais: O relatório mostra que os avanços continuam tímidos se pensarmos em atingir a universalização dos serviços em 20 anos (prazo do Plano Nacional de Saneamento Básico – 2014 a 2033). O que é preciso para atingir esse objetivo a tempo?

Maria Garbin: Uma das maiores causas dos problemas de saúde dos países mais pobres e em desenvolvimento é a falta de saneamento básico, realmente ainda são poucas as cidades que possuem tratamento de água e esgoto. Há de se considerar que os investimentos para construção das Estações de tratamento e as redes que ligam as residências, indústrias e comércios a estas Estações são altíssimos e a divulgação da importância da construção e ampliação destes projetos minimizadas, portanto a população só sente os efeitos da falta destes serviços, quando o esgoto inunda suas casas, falta coleta de lixo e este se acumula sob calçadas, trazendo mau odor, insetos, roedores e aspectos visuais insuportáveis. Como exemplo posso citar a cidade de Limeira, que foi uma das pioneiras há mais de 20 anos em “terceirizar” o serviço de água e esgoto, no início muitas críticas houveram, mas muitos investimentos foram feitos como substituição da tubulação e redes, mapeamento da rede de água e com auxílio do Plano Diretor Municipal, pode acompanhar o desenvolvimento da cidade, nova unidades de abastecimento (reservatórios de água), funcionamento da ETE (Estação de tratamento de Esgoto) com ampliação da rede, investimentos em profissionais técnicos e capacitados como também o incentivo a capase.

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D: Campinas aparece na 21ª posição, em relação a 2012, a cidade subiu 7 posições. A redução de perdas na rede foi um dos motivos para que a cidade subisse no ranking, além dos investimentos no setor. O que falta para que a cidade passe a ser exemplo nesse setor? Investimento? Profissionais?

M.G.: A redução de perdas é um dos itens que mais saltam aos olhos quando falamos de água tratada. Num primeiro momento podemos pensar na quantidade de água perdida, devido a tubulações, vazamentos, redes antigas, formação de bactérias, corrosão, incrustações e outros. A manutenção e porque não dizer a investigação das perdas é um dos processos mais morosos e mais onerosos no que diz respeito a água tratada. Como se pode observar para a redução de 0,2% das perdas mais de R$ 103,2 milhões foram despendidos para garantir maior eficiência neste processo. Além disso a que se considerar  a avaliação custo x benefício, levando-se em conta que a maior parte da rede é subterrânea, coberta por solo e asfalto que ligam diversos pontos de acessos das cidades, próximos a grande contingentes populacionais, comércios, hospitais e os transtornos causados pelas obras como desvios, interrupção total ou parcial de abastecimento. Existem vários processos tecnológicos de menor impacto, porém com mais alto custo, que necessitam de profissionais especializados e capacitados e investimentos com retorno a longo prazo em termos de custos.

D: Limeira ficou em 3º lugar no ranking. Porém 3% de sua população de zona rural, não tem acesso ao saneamento. Por que é importante atender essa população e quais os impactos que elas sofrerem nos aspectos ambientais e na saúde hoje, com a utilização de poços e fossas?

M.G.: A principal dificuldade ao atendimento desta população é a distância dos sistemas de tratamento, o investimento para ampliação de redes que atendam a estas localidades se torna inviável. O Ministério da Saúde tem especial atenção para esta população e por isto de acordo com a Portaria MS 2914/11 que dispõe sobre os procedimentos de controle e de vigilância da qualidade da água para consumo humano e seu padrão de potabilidade, traz parâmetros e medidas de controle para estes poços chamados de SAC – Solução Alternativas Individual. Há pouco tempo atrás a contaminação das águas e do solo se devia exclusivamente à contaminação microbiológica, porém com o uso de agrotóxicos e outros produtos como combustíveis, solventes e outros utilizados pela população rural, a contaminação do solo e das águas se dá através de contaminantes químicos. Felizmente ou infelizmente, depende do ponto de vista, se a carga poluidora for elevada os impactos ambientais na água, ar e solo podem ser comensurados em tempo mais curto, mas quanto aos impactos  à saúde estes nem sempre podem ser associados a estes fatores ambientais. Pode-se afirmar que em comunidades onde o uso da água dos poços não é dado por nenhum processo de desinfecção e há utilização de fossas é grande a incidência de doenças diarreicas e Hepatite A.

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D: Das 100 cidades, apenas 39% dos esgotos foram tratados, o que significa que mais de 5 mil piscinas olímpicas de esgotos não tratados foram jogadas por dia na natureza naquele ano. Como esse fato pode ser relacionado quando falamos de crise hídrica?

M.G.: Quanto maior a porcentagem de esgoto tratado, melhor se tornará ou retornará a qualidade da água. Costumo dizer que a água que bebemos é o esgoto tratado de alguém, mas não devemos nos entristecer, pois o nosso esgoto tratado também será a água potável de alguém! Em municípios mais antigos ou com redes mais antigas também é comum as águas pluviais das residências serem levadas pelas redes de esgoto, isto causa muitas vezes a “diluição” deste esgoto, mas por outro lado, esta água (pluvial) geralmente de boa qualidade e que se submetida a um tratamento simplificado poderia ser utilizada como alternativa de mitigação nesta crise hídrica acaba por se misturar ao esgoto e se tornar de qualidade inferior. Isto impacta nos custos do tratamento tanto de esgoto como de água tratada, quantidade de produtos químicos a serem utilizados, dentre outros custos operacionais do processo.

D: Qual a importância desse estudo para a melhoria do saneamento dessas cidades?

M.G.: Incentivo, alternativas, estudos e o melhor de tudo que existem soluções e melhorias que podem ser implantadas ao alcance de todos, desde que hajam investimentos em obras, estruturas, contratação de pessoal técnico e qualificado além de demonstrar que se trata de um processo contínuo, que precisa de envolvimento e desenvolvimento para qualidade, segurança e saúde da população.

D: De uns 5 anos para cá o que melhorou nesse setor? E o que ainda falta para melhorar?

M.G.: Desde a promulgação da Lei 11445/2007 –  que estabelece diretrizes nacionais para o saneamento básico, muitas melhorias tem sido vistas para que as cidades vejam o saneamento com solução e alternativas. O trabalho desenvolvido pelos Comitês de Bacias, Órgãos Institucionais como ANA, ANAELL, DAEE, Secretarias de Meio Ambiente, CETESB e órgãos Ambientais Estaduais, Ministério da Saúde, Ministério do Meio Ambiente, Vigilâncias em Saúde  e Organizações Não Governamentais também tem contribuído muito para desenvolvimento e fiscalizações de ações, mas ainda faltam políticas públicas e a participação e sensibilização da população para que o desenvolvimento das ações de Saneamento Básico caminhe a passos mais largos.

Confira o estudo, Ranking do Saneamento na integra aqui.

Editado por Isabella Pastore

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