Disponibilidade de água diminui 26% em 18 anos na região do PCJ

Por Marília Gabriela Simão

A pior estiagem dos últimos 90 anos fez com que a disponibilidade de água diminuísse nas regiões de Campinas, Piracicaba e Bragança Paulista. A informação é resultado de um estudo realizado pelo Consórcio das Bacias de Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ), que mostrou que a oferta, que era de 408 m³/s por habitante ao ano em 1996, foi reduzida para 298,8 m³/s em 2014. Isso significa uma queda de aproximadamente 1,5% ao ano por habitante.

Para realizar o estudo, O PCJ fez uma atualização de dados levantados em 1996 pelo pesquisador especialista em águas da PUC-Campinas e técnico da SANASA, Armando Gallo. “Sentimos a necessidade de apurar essas informações para determinar novas estratégias de gestão da água, considerando a realidade atual da disponibilidade hídrica em razão de estiagem”, explica José Cezar Saad, coordenador de projetos do consórcio.

A situação coloca a região em estado de déficit hídrico, segundo especificações da Organização das Nações Unidas (ONU), e é possível compará-la com as áreas desérticas do Oriente Médio.

De acordo com os dados divulgados, uma das causas da queda na oferta de água é o aumento da população nas 72 cidades que abrangem o PCJ – parte delas da RMC e quatro do estado de Minas Gerais-, que foi de 3,8 para 5,8 milhões. O problema é que as fontes de abastecimento não se desenvolveram na mesma proporção.

O estudo ainda mostra que a redução da oferta de água só não atingiu níveis mais drásticos, pois o consumo de águas das Bacias PCJ caiu 47% se comparado aos dados de 1996. Isso se deve a uma redução da demanda dos setores industrial e agrícola da região. “A diminuição do consumo de água nas indústrias deveu-se à melhoria nos processos produtivos e ao reuso da água. Já na agricultura, ampliou-se a utilização de métodos de irrigação por gotejamento que reduz muito o consumo de água, além da utilização e aproveitamento de água de chuva captada das coberturas de estufas”, esclarece Saad.

Queda na demanda evitou que a disponibilidade de água fosse ainda menor (Infográfico: Marília Gabriela Simão)
Queda na demanda evitou que a disponibilidade de água fosse ainda menor (Infográfico: Marília Gabriela Simão)

O coordenador ainda alerta que a situação pode ser reversível, desde que a população continue se conscientizando da necessidade de economizar água e também com a implantação de ações voltadas à redução de perda e reaproveitamento da água consumida. “É preciso pensar em projetos que visem a redução das perdas hídricas nas redes de abastecimento, além construção de novos reservatórios de água bruta, ampliação da capacidade de armazenamento de água tratada nos municípios e utilização e aproveitamento de água de chuva, desde que coletada e armazenada corretamente”, finaliza Saad.

 

Editado por Ananda Porto

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