Música corporal cresce e ganha espaço nas escolas

Por Sérgio Moreira Jr. e Cassius Torres

Desde quando o Ministério da Educação tornou obrigatória a disciplina de música nas escolas do ensino fundamental, em 2012, professores vêm buscando encontrar meios de lecionar as aulas de uma forma na qual os alunos se desenvolvam não só na prática musical, mas também intelectual e socialmente. A percussão corporal, além de suprir essas necessidades, dá aos alunos a oportunidade de autoconhecimento do corpo e aguça a criatividade. Por conta disso, esta forma de música vem se tornando um método muito utilizado nas escolas.

Vitor Moreira, arte educador e percussionista corporal (crédito: Sérgio Moreira Jr.)
Vitor Moreira, arte educador e percussionista corporal (crédito: Sérgio Moreira Jr.)

Aos 24 anos de idade, Vitor Savazi Moreira é professor de música do ensino fundamental e trabalha técnicas de percussão corporal com crianças e adolescentes de 6 a 14 anos, além de participar do projeto Orquestra Corporal, com Fernando Barba, criador da técnica Barbatuques e referência mundial da percussão corporal. Moreira explica que a modalidade é derivada de um contexto mais amplo denominado música corporal, que consiste em “toda possibilidade que nosso corpo tem de fazer som. O canto, por exemplo, é a mais comum delas”. Formado em licenciatura pela Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep), o professor lamenta que na instituição essa área seja pouco abordada: “Poderia trabalhar mais. Éramos em 30 alunos, imagina um trabalho de percussão corporal feito por 30 alunos? Daria uma banda e tanto”.

Assim pensa também Leandro Barsalini, professor, há sete anos, das disciplinas “Rítmica” e “Bateria” nos cursos de Música da UNICAMP: “Esse tipo de ensino deve ser levado mais afundo. A ideia de que o corpo é o primeiro instrumento, o eixo estrutural, e que deve ser explorado, vem se expandindo de uns vinte anos pra cá”. O professor também afirma: “é preciso ativar outras partes do seu corpo, não é só a mente, mas também os pés, as pernas, o corpo todo”.

Leandro Barsalini - professor de "Rítmica" e "Bateria" na UNICAMP (Crédito: Sérgio Moreira Jr.)
Leandro Barsalini – professor de “Rítmica” e “Bateria” na UNICAMP (Crédito: Sérgio Moreira Jr.)

O trabalho nas escolas 

As técnicas para o ensino de música se diferem bastante em todo o território brasileiro e, devido à exorbitante diferença de infraestrutura entre escolas públicas e privadas, a música corporal se tornou a melhor forma de se ensinar música, pois para fazê-la “não precisa de mais nada além de um corpo disponível, disposto a trabalhar” explica Barsalini.

O aluno do segundo ano de música na UNICAMP Paulo Vicente de Paula trabalha com educação infantil. Ele faz com que crianças de 6 meses a 5 anos de idade tenham não só os primeiros contatos com a música, mas que venham a descobrir o corpo, estimulando a coordenação motora: “Para uma criança de seis meses, só o gesto de você bater palmas e ela reproduzir, se utilizando de músicas folclóricas, já é um avanço motor e cognitivo. Para os alunos de 4 anos, já é possível passar noções de samba, baião”, explica o estudante.

Além do desenvolvimento individual, a prática da percussão corporal ensina o trabalho em equipe. Segundo Leandro Barsalini, é um trabalho “essencialmente coletivo”, já que para a música se tornar completa, harmoniosa e rítmica, é preciso, além da sua parte, a parte do outro. Há sempre uma dependência entre os protagonistas, estimulando assim a aprendizagem mais social e uma vivência que pensa no próximo.

Para aplicação prática nas escolas, grupos e oficinas, foram criados jogos em equipe como “a sequência minimal, a qual cada um faz o mínimo de som para que a música aconteça, o carrossel, que induz uma liderança rotativa, na qual cada líder propõe um pulso (ritmo) e uma frase a ser elaborada pelo grupo, a improvisação e muitos outros”, explica Vitor Moreira.

Arte pelo mundo

Fora do meio acadêmico/pedagógico, a percussão corporal toma proporções artísticas significativas ao redor do mundo. Oficinas, Workshops, apresentações em praças, teatros e academias estão se tornando práticas cada vez mais comuns.

Pedro Consorte, formado pela PUC-São Paulo em Comunicação das Artes do Corpo, é reconhecido internacionalmente por ter feito trabalhos como o Stomp, no Reino Unido, por participar do International Body Music Festival, entre tantas outras atividades no universo da percussão corporal.

Pedro Consorte (ajoelhado ao centro) e um grupo de alunos ao final de um workshop em Hamburgo, na Alemanha (divulgação)
Pedro Consorte (ajoelhado ao centro) e um grupo de alunos ao final de um workshop em Hamburgo, na Alemanha (divulgação)

Aos 27 anos, Pedro está em turnê pela Europa, realizando workshops e oficinas baseados na percussão e música corporal: “Passei pela França, Inglaterra, Alemanha e agora estou na Itália. Até o final de julho tem muito mais ainda. Para cada grupo, há uma forma diferente de se ensinar”.

A turnê é realizada de forma independente: “Eu entro em contato com as pessoas que conheço nos diversos países, e elas encontram uma sala ou uma escola, chamam as pessoas e eu dou o workshop”. É a prova de que este tipo de prática musical aguça nas pessoas um pensamento coletivo mais presente, afirma Consorte: “Estou trabalhando sob os mais diversos tipos de condições. Dinheiro não é minha prioridade. O mais importante pra mim é fazer acontecer”.

Vitor Moreira, além de lecionar música para o ensino fundamental e fazer parte da Orquestra Corporal, é idealizador do projeto “Música na praça”, em Limeira-SP. Uma vez por mês ele reúne interessados na prática de percussão corporal em ambientes públicos para uma aula a céu aberto e gratuita.

Confira no vídeo uma exibição individual de Vitor Moreira:

Reportagem para o Projeto Repórter Estudante da Rádio CBN:

Editada por Fernando Corilow

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