Suicídio: um silêncio que deve ser quebrado

Por Mona Carolina Moreno

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, estima-se que o número de mortes por suicídio ao ano seja o dobro até 2020, o que representa 1,5 de pessoas e 2,4 de todas as mortes no mundo.No Brasil, por exemplo, o suicídio entre as pessoas de 15 a 29 anos aumentou 20% nas últimas duas décadas.

Nas mãos da psiquiatra Dra. Maria Cristina De Stefano, o livro
Nas mãos da psiquiatra Dra. Maria Cristina De Stefano o livro “Suicídio: a epidemia calada” (Foto: Mona Carolina Moreno)

Para a psiquiatra de Jundiaí, Dra. Maria Cristina De Stefano, além da prevenção contra o suicídio implicar em ações sócio educativas, baseadas na explicação de que o suicídio é o último sinal de uma doença mental grave, ela se baseia ainda nas mudanças do estigma do preconceito e da discriminação. “Mudança do estigma, mudança do preconceito e na discriminação são três elementos muito importantes para a prevenção de qualquer doença”, explica.

Dra. Maria Cristina perdeu o seu filho de 34 anos, Felipe De Stefano, que morava sozinho, por suicídio. A médica sentiu o inevitável sofrimento de culpa deixado nesse cenário e ainda o preconceito que o suicida e seus familiares sofrem em uma morte como essa. “A cada 1 suicida no mundo, em média 6 pessoas ficam atingidas por um quadro depressivo. A morte por suicídio não é comentada, como são as outras. As pessoas da própria família acabam não falando sobre o tema. Por isso o título, o “suicídio é uma epidemia calada”, diz a Dra. Maria Cristina, mencionando o livro publicado recentemente, que traz a resposta de como uma pessoa está quando decide dar fim a própria vida.

Após o suicídio, foi encontrado no apartamento do Felipe De Stefano cinco cadernos com dez anos de diário. Depois de um ano da sua morte é que veio a coragem da mãe de ler esses diários e, enfim, a decisão de que esse texto se tornaria um livro publicado.  “A decisão de publicar esse livro veio da percepção de que a minha vida e a de muitas pessoas mudariam a partir dessa leitura. A ideia é que se crie mecanismos de discussão para que possa tirar esse estigma de preconceito e discriminação”, deseja a psiquiatra, sobre o suicídio.

Como profissional, Dra. Maria Cristina viu na morte do filho a oportunidade, por meio dos estudos, de se aprofundar e se tornar especialista em suicídio e segundo ela os mitos contados sobre o assunto são inúmeros: “aquilo que dizem que quem vai se matar e não deixa rastros, é mentira. Os suicidas deixam indícios sim, mas muitos dessem indícios são discriminados. As vezes nós tomamos as queixas e sofrimentos dessas pessoas, por banais, mas isso deve ser evitado. Precisa haver uma proximidade e uma atenção para saber os motivos de tais queixas”, alerta a médica, dando destaque a um assunto que não deve ser calado nunca.

Editado por Danilo Christofoletti

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