Cirurgia bariátrica é opção no tratamento da obesidade

Por Rafaella Cassia

Dados do Ministério da Saúde revelam que 51% dos mais de 200 milhões de brasileiros estão com sobrepeso e 17,9% das pessoas acima de 18 anos são obesas. Atualmente a obesidade é reconhecida como um problema de saúde que afeta homens e mulheres de diferentes idades e condições sócio-econômicas. Um dos tratamentos oferecidos pelas rede pública e privada é a cirurgia bariátrica.

No entanto, o médico gastroenterologista Gustavo Sevá explica que para fazer este tipo de cirurgia é necessário ter  alguns pré-requisitos. “Tem a continha do IMC (Índice de Massa Corpórea), que ser acima de 40 ou 35, desde que você tenha doenças pré-existentes, doenças que a obesidade traga: hipertensão, hérnia de disco, artrose, diabetes”.

O IMC é calculado através do peso e altura. Para se chegar ao resultado o peso é multiplicado pela altura ao quadrado. Dependendo do valor obtido, a pessoa entra em uma faixa de risco. A tabela abaixo mostra estes valores.

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Tabela mostra riscos de cada valor do resultado do IMC (Arte: Rafaella Cassia)

O médico ainda alerta que nem todos que se enquadram nestas características podem realizar a cirurgia bariátrica. “Quem não tem a cabeça pronta para fazer, quem não tem expectativas de mudanças de hábitos de comportamento, quem tem risco muito grande (cardíaco, doença renal), quem não quer fazer o preparo com a nutricionista e psicóloga, quem tem doenças em estágio terminal, quem tem abaixo de 16 a acima de 65 anos”, exemplifica Sevá.

Para fazer a cirurgia bariátrica é preciso realizar exames pré e pós-operatório, além de passar por um acompanhamento nutricional e psicológico. A nutricionista Cíntia Galante afirma que a maior causa para a obesidade atual é o fator comportamental. “A gente está tendo acesso à comida com muito mais facilidade, principalmente alimentos industrializados, as pessoas estão comendo mais fora de casa, as pessoas estão se importando menos com a alimentação, as pessoas estão ficando cada vez mais sedentárias. Isso tudo é comportamental e vai favorecendo o ganho de peso”.

A nutricionista ainda conclui: “O excesso de peso ou o ganho de peso é uma conta de calorias. Se você ingerir muitas calorias e gastar poucas, vai sobrar. Sobrou caloria, ganhou peso. Uma pessoa que faz gastroplastia, ela talvez não consiga comer volumes muito grande de comida, mas ela consegue comer uma quantidade muito grande de caloria”.

A psicóloga Ivanimeire Grossi destaca que durante as sessões que antecedem o procedimento cirúrgico são explicados todos os procedimentos ao paciente. “Nós explicamos o que vai acontecer, a forma que tem que comer, o treino do comportamento alimentar, que é muito importante e quando a pessoa não faz o preparo, ela não tem uma estrutura psicológica para enfrentar toda essa mudança de vida depois da cirurgia”.

Depois de não obter sucesso nos demais tratamentos para emagrecimento e por estar com os níveis glicêmicos altos, a médica Silvana Machado optou por fazer a cirurgia bariátrica e vai realizá-la no início de maio deste ano, mas afirma que por achar o procedimento invasivo, era resistente.  “Eu achava que as pessoas precisavam esgotar as alternativas. Não é um procedimento isento de complicações e eu era resistente por este motivo. Foi minha última alternativa”.

Além da perda de peso, a cirurgia bariátrica pode trazer outros benefícios, como diminuição e cura de doenças associadas à obesidade e melhora da qualidade de vida. Foram estes motivos que levaram a empresária Cristiane Martins a realizar operação, há oito anos. “Meu excesso de peso começou a dar complicações de saúde e eu já tinha tentado vários métodos para emagrecer e a última alternativa foi fazer a cirurgia bariátrica”, explica a empresária.

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Há algumas maneiras de se realizar a cirurgia bariátrica como a “Banda Gástrica Ajustável” que consiste em diminuir a quantidade de alimentos que pode ser ingerida, através da redução da capacidade de volume do estômago. Outra forma é a “Gastrectomia Vertical”, que também restringe o tamanho do estômago. Atualmente a “Gastroplastia com Y de Roux” ou o bypass, como é mais conhecida, é o método mais realizado. A animação produzida pela ETHICON, empresa fabricante de produtos cirúrgicos, mostra como o procedimento bypass é realizado:

Esta reportagem foi produzida para o projeto “Repórter Estudante”, da CBN. O áudio pode ser conferido abaixo:

Editado por Gabriela Troian

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