1º Encontro de Choro de Campinas supera estimativa de público

Por Sérgio Moreira Jr

Com aproximadamente 3000 pessoas circulando entre as oficinas, apresentações e rodas de choro, o 1º Encontro de Choro de Campinas terminou na noite de ontem (24). O 9º dia do evento teve como destaque a apresentação da Orquestra de Choro Campineira, na Praça Carlos Gomes, centro da cidade, que contou com um público heterogêneo: senhoras e senhores, jovens, músicos, e comerciantes. Todos que passavam por ali eram fisgados pelas atividades.

Franco Galvão, um dos idealizadores do 1º Encontro de Choro de Campinas, e o pequeno Cristian Alcaide auxiliar de audiovisual.
Franco Galvão, um dos idealizadores do 1º Encontro de Choro de Campinas, e o pequeno Cristian Alcaide, auxiliar de audiovisual. (Foto: Sérgio Moreira Jr.)

Foi assim durante os nove dias. Franco Galvão, idealizador do evento juntamente com Felipe Macedo e a produtora Cassiane Tomilheiro, disse que a lotação dos ambientes onde ocorreram as apresentações foi máxima em quase todos dias. “O show da Monica Salmaso, na concha acústica do taquaral, atrasou uma hora e meia devido à chuva torrencial que não parava, e mesmo assim tivemos um público de 900 pessoas”. Segundo Franco, isso é reflexo da carência, mesmo que inconsciente, que o campineiro tem de cultura, de arte acessível.

O 1º Encontro de Choro de Campinas é, na verdade, uma reinvenção do Encontro de Choro da Unicamp que, com incentivo do Programa de Apoio à Cultura (ProAC), da Secretaria da Cultura de Campinas e de outros parceiros, se expandiu geograficamente pela cidade, descentralizando o que antes acontecia somente no distrito de Barão Geraldo, e que quando associado ao nome da universidade, confundia os participantes e os artistas que se apresentavam quanto à verba destinada ao evento e os reais idealizadores.

Essa mudança trouxe alguns desafios para o encontro, o mais gritante foi a falta de infraestrutura em Campinas. “Em Barão, só na Vila Isabel há 3 teatros. Quando expandimos para Campinas, não havia lugares para se apresentar, necessitaríamos de alvará, teríamos problema com os vizinhos e o transporte público já desanimava os participantes que, na maioria, eram da Unicamp”, diz Franco.  Contudo, ele afirma que com a ajuda da Secretaria da Cultura de Campinas foram conseguidos locais públicos em bons horários para todos aproveitarem.

Tema do encontro: a mulher no choro

Esther Alves, única integrante feminina na Orquestra de Choro Campineira que se apresentou no último dia do encontro. Crédito: Sérgio Moreira Jr.
Esther Alves, única integrante feminina na Orquestra de Choro Campineira que se apresentou no último dia do encontro. (Foto: Sérgio Moreira Jr.)

O 1º Encontro de Choro de Campinas abordou a questão da mulher na música, mais especificamente no choro. O tema surgiu no 7º Encontro de Choro da Unicamp, feito em 2014, quando se percebeu que a presença da mulher no choro é significativamente menor que a do homem. Para tanto, na primeira edição do encontro campineiro, os artistas que se apresentavam ou eram mulheres ou apresentavam composições femininas.

Esther Alves, flautista, se formou em música pela Unicamp em 2013 e é a única mulher na Orquestra de Choro Campineira que se apresentou no encerramento do encontro. Esther disse que nunca sofreu preconceito e conta com a sorte para isso, pois identifica as raízes machistas na música tanto erudita quanto popular. Ela confessa que há sim um “mal entendido” nas rodas de samba: “Sou a única mulher do grupo, muitos homens acham que estou disponível, porque estou tocando na noite. Mas conversando as coisas vão mudando. Faz parte de um processo,” finaliza.

 

Editado por Igor Calil

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