Alimentação saudável pode resultar em distúrbio alimentar

Por Ana Carolina Pertille

Quando falamos em distúrbios alimentares, logo nos lembramos da anorexia e bulimia que são caracterizadas pela perda de peso exagerada e rápida, devido a má alimentação e, em casos mais extremos, a falta da ingestão de alimentos. Atualmente, vemos uma grande preocupação por parte da população em se alimentar corretamente e com hábitos saudáveis. Porém, quando o “estilo de vida” passa para a obsessão, pode também se tornar um distúrbio alimentar: a ortorexia nervosa.

Termo criado em 1997 pelo cientista estadunidense Steven Bratman (autor do livro Health Food Junkies), a ortorexia é o distúrbio que atinge pessoas que possuem a obsessão em se alimentar bem. Diferente da bulimia e anorexia, o ortoréxico se permite comer, porém todos os seus pensamentos são voltados para a alimentação.

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A ortorexia é marcada pela obsessão e alta seleção naquilo que sera ingerido (Infográfico: Ana Carolina Pertille)

A nutricionista Ana Cláudia Pereira Gonçalves explica que a ortorexia pode ter forte presença no cenário atual, marcado pela grande valorização da alimentação e o aumento do interesse das pessoas nas dietas da moda e na imagem corporal.

“Pessoas que restringem a sua alimentação de maneira errônea objetivando uma alimentação saudável, já não são saudáveis. A patologia surge quando há uma falta de equilíbrio entre saúde, qualidade de vida e a imagem corporal, podendo chegar até a impedir o individuo do convívio social”, afirma.

Apesar de ainda não ser reconhecido clinicamente como um distúrbio, cientistas e pesquisadores desenvolveram pesquisas e questionários em diversas populações para terem uma noção da abrangência.

Em 2005, pesquisadores italianos desenvolveram um questionário chamado ORTO-15. Leia o artigo e realize o questionário aqui (em inglês). Se a nota for menor que 40, é considerado com ortorexia nervosa. Se a nota for maior, a pessoa também pode sofrer de personalidades fóbicas ou obsessivas.

É importante lembrar que manter uma alimentação saudável não é sinônimo de ortorexia nervosa. “Percebe-se o surgimento de uma tendência em consumir alimentos saudáveis: sem agrotóxicos, naturais, com menos aditivos químicos, e aumento do interesse pela atividade física. Essas duas tendências demonstram o aparecimento de uma maior conscientização em buscar hábitos saudáveis para uma melhora da qualidade de vida, o que é positivo”, explica Ana Cláudia. Porém, ela explica também que casos de distúrbios podem ser pontuais e é necessária a averiguação de cada caso para o diagnostico.

Estilo de Vida

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Devido as competições de bodybuilding, Vítor Samora Camargo mantém uma dieta equilibrada (Foto: Arquivo Pessoal)

O DJ e fisiculturista Vítor Samora Camargo conta que desde pequeno manteve uma alimentação saudável por influência da mãe, que é nutricionista. Aos 15 anos começou a se interessar por musculação e hoje, com 21 anos se dedica completamente a dieta e aos treinos devido as competições de bodybuilding.

“Me preocupo mais [com a alimentação] em fases de preparação para competição, onde as quantidades devem ser medidas exatamente de acordo com a necessidade calórica do dia”, explica. “Saio da dieta propositalmente em finais de semana, porém, apenas 1 ou 2 refeições, para quebrar a homeostase do corpo. É um fator que mantém o metabolismo muito tempo em um determinado fluxo, essa ingestão de sódio e gordura a mais faz com que ele acelere e queime mais gordura durante uns dias.”

Para Camargo, a rotina de alimentação saudável é mais um estilo de vida do que uma obsessão. “Aos olhos de muitos é uma obsessão. Para mim se tornou costume, hábito, estilo de vida, bem estar consigo mesmo”, finaliza.

A estudante de jornalismo Júlia Freitas desde pequena se preocupou em manter uma alimentação equilibrada, mas a correria do dia-a-dia atrapalhava. No primeiro ano da faculdade, após engordar 10 quilos, Júlia começou a sentir muita tremedeira e descobriu que tinha hipoglicemia. Ela então começou uma dieta espiritual bem restrita e em 3 meses havia voltado para o peso normal e controlado a doença.

“No final de semana eu abro exceção pra comer fora de hora e durante a semana eu como com horário. Mas eu não sou louca, se uma hora eu precisar comer alguma coisa em algum lugar eu vou comer, eu consigo equilibrar. Se eu tenho vontade, eu como”, explica.

Além da estética, a alimentação saudável  foi uma questão de saúde, pois além de controlar a hipoglicemia, a ajudou na concentração. Confira no áudio abaixo.

Editado por Danilo Christofoletti

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