Bibliotecas públicas de Campinas emprestam quase 42% menos

Por Igor Calil

Os empréstimos de livros nas bibliotecas públicas de Campinas tiveram uma notável redução nos últimos anos. Em média, as bibliotecas consideradas no levantamento feito pelo Digitais emprestaram 41,8% menos de 2008 a 2014.

Na principal biblioteca da cidade, a Profº. “Ernesto Manoel Zink”, há 7 anos, os empréstimos somavam 20 mil. No ano passado, foram retirados 12.512 títulos, uma queda de 37,5%.

A biblioteca Distrital de Sousas “Guilherme de Almeida” também registrou expressiva redução no número de empréstimos. Em 2008, foram emprestadas 1.991 obras, contra 1.073 no ano passado, portanto, 46,2% menos.

Os números das bibliotecas refletem uma recente pesquisa divulgada pela Fecomercio-RJ que afirma que 70% dos brasileiros não leram em 2014.

Empréstimos de livros nas bibliotecas de Campinas acompanha pesquisa da Fecomercio-RJ e tem expressiva redução.
Empréstimos de livros nas bibliotecas de Campinas acompanham pesquisa e têm expressiva redução. (Infográfico: Igor Calil)

A biblioteca “Joaquim de Castro Tibiriçá” não foi incluída devido a um roubo que aconteceu em 2008, acarretando na perda dos dados, conforme informou a coordenação. Já a biblioteca infantil “Monteiro Lobato” suspendeu suas atividades entre 2008 e 2012 e, por isso, também não faz parte do levantamento.

Segundo o coordenador da biblioteca do distrito de Sousas, Adriano Bueno da Silva, a procura diminuiu, principalmente, no âmbito da pesquisa, devido às facilidades proporcionadas pelos sites de buscas na internet. “O público que procura literatura e contos continua”, afirma. Para ele, a mudança de endereço, que ocorreu há 4 anos, também pode explicar parte dessa redução. “As pessoas ainda estão se acostumando com o novo local”, diz.

Contudo, Fabiana Ribeiro, Coordenadora de Comunicação da Secretaria de Cultura de Campinas, ressalta que “as bibliotecas não devem ser encaradas apenas como um depósito de livros para empréstimos e sim como um espaço de atividades ligadas à leitura e à literatura”.

Nessa perspectiva, as bibliotecas de Campinas realizam, frequentemente, atividades relacionadas à promoção da leitura ou da cultura. A biblioteca Prof. “Manoel Ernesto Zink”, por exemplo, conta com um sarau todo último sábado do mês e a “Guilherme de Almeida” dá os primeiros passos para a criação de um clube de leitura.

Entretanto, essas iniciativas não têm por objetivo resgatar os índices registrados no passado. Fabiana conta que não existe a preocupação em aumentar o número de empréstimos nas bibliotecas e justifica-se amparando no fim do papel e na utilização das novas tecnologias e e-books como meios de leitura. “Se conseguirmos fazer com que a pessoa saia do Facebook e leia algum livro, independentemente da fonte, já está bom”, conclui a coordenadora.

 

Metodologia

Para chegar a estes índices, o Digitais teve acesso aos números disponibilizados pelas próprias bibliotecas no Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas de São Paulo, o SisEB. Outros dados também foram apurados junto à coordenação da biblioteca Distrital de Sousas e também são resultantes de pesquisa jornalística.

Para o cálculo percentual, foi utilizada média aritmética simples, em que soma-se os números de empréstimos de 2008 e 2014 e divide-se por 2, chegando à porcentagem de cada biblioteca. Feito isso, somou-se a porcentagem de ambas e, novamente, dividiu-se por 2, chegando à média de redução de empréstimos de 41,8%.

Editado por Gustavo Gianola

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