Protesto sobre cancelamento de FIES na PUC-Campinas termina em diálogo com a Reitoria

Por Gustavo Gianola

Cerca de 70 pessoas, dentre elas alunos e pais, se reuniram na tarde desta quarta-feira (22), em frente a reitoria do campus I da PUC-Campinas, para reivindicar o corte do Fundo de Financiamento Estudantil (FIES) para alunos ingressantes no 1º semestre de 2015. Os manifestantes fizeram cartazes e ficaram parte do tempo com apitos na boca fazendo barulho em frente à sede da reitoria. O protesto reuniu boa parte da imprensa local. Os alunos e pais pediram uma posição da universidade sobre o caso, já que a mesma havia se manifestado apenas por uma nota divulgada no site, a qual afirmavam estar aguardando uma resposta do Ministério da Educação (MEC).

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Os manifestantes levaram cartazes e apitos para o protesto. Foto: Gustavo Gianola

A aluna do primeiro ano de jornalismo, Danielle Monique Panta Ferreira disse estar surpresa com a falta de diálogo entre universidade e alunos. Anteriormente, a estudante disse estar presente em duas audiências com o a reitoria, a qual afirmou criar uma ideia de acordo para que os alunos pagassem o valor do reajuste de 2,6% sofrido e a universidade continuasse com o projeto de financiamento estudantil normalmente. Danielle disse que as causas do protesto de hoje baseiam-se em dar início a esse acordo sugerido; que a PUC-Campinas perdoe as dívidas dos alunos ingressantes que foram prejudicados com esse corte de benefício e que haja ressarcimento dos que pagaram as mensalidades no aguardo da aprovação de seus contratos. “Se no começo do ano a universidade tivesse se manifestado com essa alteração, eu teria desistido de ingressar na universidade e voltaria para o cursinho para tentar uma universidade pública”, completa a estudante.

 Após entrevistas para telejornais locais e muito barulho, superiores da universidade decidiram abrir uma sala do campus para proporcionar diálogo entre alunos e docentes. Quem ministrou o debate foi o Professor Dr. Ricardo Pannain, Pró-Reitor de Administração da PUC-Campinas, sob a supervisão do advogado da universidade, Guilherme Cabral. Durante aproximadamente duas horas de debate, o Pró-Reitor e o advogado ressaltaram estar fazendo o possível, dentro das regras e medidas legais determinadas pela universidade, para tentar reverter a situação, já que o problema se dá às novas regras determinadas e à falta de fundos pela parte do MEC. “Nós somos uma instituição filantrópica e temos que seguir as normas”, completa.

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O protesto reuniu cerca de 70 pessoas em frente a reitoria. Foto: Gustavo Gianola

O Pró-Reitor afirmou que o reajuste realizado no valor da mensalidade é baseado na planilha de custos monitorada pela universidade. Pannain disse que já entrou com diversas liminares para alteração do projeto, porém não obtiveram respostas do Ministério da Educação. Também disse que enquanto tudo continuar indefinido, está de mãos atadas. Afirmou que se a pessoa for se cadastrar no sistema, será barrada, pois o sistema está barrando novos contratos. Dr. Ricardo também disse que os antigos contratos feitos pelos alunos, que terão aditamento obrigatório, continuarão aprovados e terão sequência. A orientação do Pró-reitor de Administração da universidade para com os alunos prejudicados é a utilização do Crédito APLUB, fundo criado para que os alunos paguem 50% do valor da mensalidade enquanto cursam e quitem as dívidas após a conclusão da graduação.

Entenda o caso

A PUC-Campinas comunicou aos alunos interessados em novos contratos do FIES que eles não poderão receber o benefício no primeiro semestre de 2015. Os alunos que já tem contratos do FIES não serão afetados pela decisão. A instituição explica que as mensalidades dos alunos tiveram um reajuste de 9% neste ano e, por conta disso, o sistema que permite fazer as operações do FIES está bloqueado para novos contratos. As novas regras, determinadas pelo MEC e pelo FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), agente operador do programa, entraram em vigor neste ano. Entre elas, uma das mais contestadas pelas instituições particulares é a impossibilidade de aumentar as mensalidades acima do teto de 6,4%.

Segundo a PUC-Campinas, nenhum novo contrato do programa de financiamento do governo foi realizado em 2015. No total, a universidade possui cerca de 1.800 estudantes com o FIES, o que representa 8% do total de estudantes da instituição.

Os alunos que ainda tentam ingressar na universidade pelo FIES têm o prazo de 10 dias para se matricular, caso contrário irão perder a validade no contrato de graduação.

 

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