Mostra reúne obras do Museu Olho Latino em Campinas

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(Visão panorâmica da mostra “Gravura Brasileira – Recorte do Acervo Olho Latino. Ambiente que reúne obras do Grupo da Arte – Foto: Marcela Castanho)

por Marcela Castanho

Uma verdadeira aula sobre a arte da gravura contemporânea brasileira está em exposição no Museu De Arte Contemporânea de Campinas “José Pancetti” (MACC). “Gravura Brasileira – Recorte do Acervo Olho Latino” traz um panorama dos procedimentos técnicos dessa arte, mostrando xilogravuras, gravuras em metal, serigrafias e litografias que ressaltam, ainda mais, os importantes aspectos dessas obras no contexto da arte contemporânea.

Com curadoria de Paulo Cheida Sans, a exposição reúne obras de 43 artistas brasileiros, todas do acervo do Museu Olho Latino, fundado por Sans e sua esposa, Celina Carvalho, em 2001, na cidade de Campinas e com sede atual em Atibaia.

“Para Campinas eu tenho três principais expectativas: valorizar a representação da gravura popular; mostrar o potencial da gravura brasileira por meio da exposição de variedade de estilos que fazem o Acervo Nacional do Museu do Olho Latino ser tão expressivo e mostrar a importância do Grupo da Arte, pertencente ao Museu”, conta Paulo Cheida Sans, que também é professor da Faculdade de Artes Visuais da PUC-Campinas.

A exposição está dividida em três segmentos. O primeiro destaca as obras do artista expoente da literatura de cordel, J. Borges. Considerado pelo New York Times como “gênio da Cultura Popular”, Borges traz cores vivas, como o rosa e laranja, misturadas ao preto e branco, retratando figuras da cultura nordestina. Além disso, o artista recebeu do Estado de Pernambuco o título de Patrimônio Vivo. Suas obras são conhecidas pelo grande público e apareceram, por exemplo, na abertura da novela Roque Santeiro, da Rede Globo.

Paulo Bonani, aposentado, passa todos os dias pelo MACC e sempre teve curiosidade, mas somente na última semana resolveu conferir a exposição e garante que não se arrependeu. “A arte é linda, traz beleza aos olhos. Achei tudo muito bonito!”, avalia o visitante.

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(Ambiente destaca as obras de J. Borges – gravador, cordelista e Gênio da Cultura Popular – Foto: Marcela Castanho)

O segundo segmento apresenta mais de 50 obras de 33 artistas consagrados pela história da gravura nacional, como Afonso Ballestero, Francisco Stockinger, Marlene Crespo e Celina Carvalho.

Já o terceiro é composto por quadros de nove artistas, todos do Grupo Olho Latino (Grupo da Arte) e, a maioria, professores de Artes de Campinas e região, como Alex Roch, Cibele Marion Sisti, Maricel Fermoselli e Paulo Cheida San. Nesse ambiente, o preto e branco dominam as paredes e o chão. A primeira exposição desse grupo aconteceu na Casa da América Latina da Universidade de Brasília, em 1996.

A estudante de arquitetura, Vitória Testa, encantou-se pelo contaste das cores opostas. “O preto e o branco foi o que mais me chamou a atenção. Gosto deste jogo de cores clássicas que os artistas propuseram”, relata.

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(Destaque para obras dos artistas do Grupo Olho Latino – Foto: Marcela Castanho)

Sans ressalta, ainda, que além de Campinas e do Museu Olho Latino, em Atibaia, dificilmente a exposição será vista em cidades do interior. “Realizamos exposições em São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Brasília e Curitiba. Fora do Brasil também, como em Lima, Santiago e La Paz. A mostra somente será exposta futuramente em instituições culturais que possam arcar e cobrir com as despesas decorrentes da realização. Desse modo, diria que Campinas recebeu uma grande oportunidade de apreciação cultural com esta mostra de Gravura Brasileira”, completa.

A maioria das obras foram doações dos próprios artistas e outras foram adquiridas por premiações das Bienais de Gravura Olho Latino. Diariamente, de 40 a 50 pessoas visitam a mostra. Se você ainda não conferiu, corra para o MACC. A “Gravura Brasileira – Recorte do Acervo Olho Latino” vai até domingo, 19.

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(Obra Carnaval de Rua, xilogravura de J. Borges – Foto: Marcela Castanho)

Serviço:

“Gravura Brasileira – Recorte do Acervo Olho Latino”

Local: Museu de Arte Contemporânea de Campinas “José Pancetti”

Rua Benjamin Constant ,1633, Centro – Campinas (ao lado da Prefeitura)

Data: até 19 de abril

Horário: terça a sexta-feira – das 9h às 17h;

Sábado-  das 9h às 16h;

Domingos – das 9h às 13h.

Entrada gratuita

Mais informações: (19) 2116-0346 ou (19) 3236-4716

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