Leitura resgata ao indivíduo fantasia e intimidade perdidas na internet

Por Gustavo Gianola

Recentemente, uma pesquisa divulgada pela Federação do Comércio do Rio de Janeiro (Fecomercio-RJ), apontou que apenas 30% dos brasileiros leram algum livro em 2014. A pesquisa, realizada em 70 cidade brasileiras, de nove regiões metropolitanas, revelou uma queda de 5% em relação ao ano interior. Um dos principais fatores que resultaram na perda de interesse pela leitura, principalmente entre os jovens foi o uso da internet, especificamente em smartphones. Ainda no estudo, foi constatado que a maioria dos entrevistados não leu nenhum livro por falta de hábito.

A estudante de Direito divide o tempo entre leituras acadêmicas e de gosto próprio (Foto: Gustavo Gianola)

Estudante de Direito, Tayara de Oliveira (23) dedica seu tempo à faculdade, estágio e nas horas vagas, à leitura de livros relacionados ao seu curso de graduação ou de gosto próprio. A estudante afirma que adquiriu esse hábito desde criança. “Quando saio do estágio e não tenho nada para ler sobre a faculdade, o que é raro, dedico meu tempo em livros sobre ficção, romance, suspense policial e fantasia. Meus autores preferidos são Sidney Sheldon, Dan Brown e Gillian Flynn”.

A estudante conta que, a cada livro que lê, independente do assunto ou da história, tenta guardar sua essência e recomendar os que mais gosta para amigos e familiares. Acha que dessa maneira pode incentivar a leitura ao próximo. “Os motivos que me levam a ler são as diferentes visões que eu tenho de um mesmo livro. Posso ler várias vezes que nunca vai ser igual a última vez. Eu viajo nas histórias e sempre me vejo em cada uma delas. Acho que o principal motivo é a fantasia que isso me proporciona, a de você criar a sua própria história dentro de uma já escrita”, conclui.

Para a psicopedagoga e professora Rosana Arruda (49), a geração profissional atual, principalmente entre jovens, vive em uma sociedade cheia de tarefas, a qual falta tempo para destinar concentração a leitura. “Quando as pessoas têm tempo para alguma coisa, preferem ficar passivas, como por exemplo assistir televisão, mexer no computador, celular ou tablet, e assim não investem na parte de trabalhar a mente com os livros” E ressalta que por quererem esquecer o trabalho ao  praticar esses métodos de lazer, sem perceber, agem da mesma forma como estão habituadas à rotina profissional.

Para a psicopedagoga, o meio social atual vive um momento de conectividade exagerada, onde toda a ação feita, seja na profissão ou fora dela, traz a “necessidade” de ser compartilhada. As redes sociais criam no ser humano uma necessidade de exposição e reconhecimento, o que confronta os princípios de um livro, que tem por finalidade preservar a intimidade entre ele e o leitor. A falta de prazer também é um dos principais fatores apontados para a desmotivação e falta de hábito pela leitura. “As novas gerações são imediatistas, querem tudo na hora. Com isso, elas estão deixando de trabalhar o lado prazeroso de ler. A leitura precisa que o ser humano esteja emocionalmente bem. Hoje todos vivem estressados e a depressão está fazendo parte do dia-a-dia. O excesso de estresse está atrapalhando a concentração. Para a pessoa se concentrar na leitura, ela precisa estar bem consigo mesma. A rapidez das informações torna tudo descartável, o que acaba trazendo tudo superficialmente. A mídia torna a pessoa passiva e não participante. No livro, o ser está participando, imaginando e interagindo com o conteúdo adquirido”, afirma.

Hoje, Rosana atua como professora em uma creche municipal e dedica seu tempo na formação educacional de crianças de até dois anos de idade. Dessa forma, desenvolve projetos de leitura com seus alunos, pois afirma que, se desde cedo eles aprendem a criar hábitos para ler, irão tornar a leitura uma forma prazerosa de aprendizado e não por obrigação. “Além de desenvolver os projetos com meus alunos, estou estendendo isso para os pais das crianças, mostrando a eles textos que ensinam como ler para os filhos, se é importante ler ou contar histórias, sendo elas de fantoches, gravuras, interativas, etc. Dessa forma, tento expor esse prazer a ambos na família, resgatando o prazer que se tem com um livro em mãos,” diz.

Para a professora, a leitura de livros tem papel fundamental na formação, tanto social quando intelectual do indivíduo. “A leitura traz cultura e conhecimento e, quando estamos lendo, sempre estamos dispostos a aprender. O aprendizado vem quando nós mesmo buscamos algo novo. O crescimento vem a partir de nosso próprio interesse. A leitura nos desenvolve a capacidade de argumentação. A internet nos faz agir por impulso, nos tornando controlados pelo tablet ou smartphone. O hábito de ler mexe com o nosso interior, relacionando o que nós lemos com a nossa própria vida. Devemos resgatar esse hábito e nos aventurar por esse prazer particular que é ler”, conclui.

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