Tribo Sabuká-Kariri-Xocó se apresenta em Limeira e Barão

Por Ananda Porto

O grupo indígena composto por sete índios Kariri-Xocós se apresentou às 18h na Faculdade de Ciências Aplicas (FCA) da Unicamp, em Limeira.  Esse foi o primeiro projeto do Conexão Cultural de 2015, organizado pela Coordenadoria de Desenvolvimento Cultural da faculdade.

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Grupo Sabuká-Kariri-Xocó, 2014 (foto: arquivo pessoal Ananda Porto)

Liderado pelo cacique Pawanã-Crody, o grupo Sabuká apresentou os Torés (danças e cantos tradicionais) e conversou sobre os hábitos, cultura e dificuldades da tribo. Atualmente vivem em um momento de conflito, pois lutam para reconquistar as terras. Os índios são da região do baixo São Francisco, do município Porto Real do Colégio, em Alagoas.  A população da tribo é de aproximadamente três mil pessoas.

É a quarta vez que vêm para a região de Campinas divulgar a cultura dos Kariris-Xocós. Para o cacique Pawanã, essas apresentações nas universidades são muito importantes. “Esse trabalho é uma espécie de pedido de socorro para a sociedade, já que passamos por um momento de disputa de terras. Não podemos perder nosso território, o índio precisa de mata, se não tem mata não tem ritual, se não tem ritual não tem alma indígena e nem cultura, e assim se perde a identidade, porque índio não sabe viver dentro da cidade. Eu considero as apresentações positivas, pois recebemos um retorno bom, voltamos para a aldeia com esperança”.

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Cacique do grupo, Pawanã-Crody (foto: arquivo pessoal Ananda Porto)

Além disso, ele mencionou que a sociedade tem pouco conhecimento em relação à cultura indígena.  “Se sabe muito pouco sobre nossas histórias e dificuldades que passamos”, afirma.

E é o que revela o estudante de Engenharia de Manufatura, Rafael Thomaz de Aquino(21), que teve o primeiro contato com índios por meio da apresentação realizada no campus de Limeira. “Hoje foi a primeira vez que vi uma tribo indígena, é uma cultura muito envolvente. Temos a ideia de que os índios são aqueles que batem com a mão na boca ao soltarem um som pela boca, brincamos e até fazemos piadas, mas ele tem uma história muito rica e de dificuldade. Achei bonito ver os cantos e danças e ainda ver como eles são envolvidos com a questão espiritual”.

Dia 19 de abril é o Dia do Índio, mas para Pawanã não há o que se comemorar. “O dia do índio é um dia que só tem tristeza, massacre e lembrança ruim. Todo dia deveria ser dia do índio e ser um dia feliz, de comemorar junto e celebrar, mas infelizmente não é o que acontece”, conclui.

Próxima apresentação:

Na quinta-feira, dia 16 de abril, haverá uma apresentação do grupo Sabuká-Kariri-Xocó no campus de Barão Geraldo, no Gramado ao lado do Instituto de Estudos da Linguagem (IEL). O evento é gratuito.

Editado por Gustavo Gianola

 

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