“Não negociaremos direitos. O PL da terceirização é um golpe”, diz presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas

Por Bárbara Garcia

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Faixa preparada pelo Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas (Foto: Divulgação Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas)

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas, Sidalino Orsi Junior, conhecido como Pato, afirmou em entrevista ao Digitais que o Projeto de Lei 4330,  que pretende ampliar a terceirização no país “é um retrocesso, um golpe aos direitos dos trabalhadores”. Além de participar das mobilizações contra o projeto, o Sindicato dos Metalúrgicos planeja parar a produção. “O objetivo claro do PL 4330 é garantir maior lucro para as empresas, porque aumentando o número de terceirizados é possível diminuir os salários. Os governos, independente de partidos, estão aí para defender o capital e nós estamos pagando a conta”, critica Pato. A entidade representa 85 mil metalúrgicos só na RMC, abrangendo Campinas, Americana, Hortolândia, Monte-Mor, Nova Odessa, Paulínia, Sumaré e Valinhos.

O projeto propõe que sejam ampliadas as terceirizações inclusive nas atividades-fim, ou seja, aquela que caracteriza o objetivo principal da empresa. Além disso o PL 4330 não exige que os terceirizados sejam representados pelo mesmo sindicato dos trabalhadores diretos. Segundo estudo feito pela CUT (Central Única dos Trabalhadores) e o DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) os trabalhadores terceirizados recebem salário 25% menor, permanecem 3 anos a menos no emprego, tem jornada de trabalho de 3 horas a mais e estão mais expostos a acidentes e mortes. Além disso, 90% dos trabalhadores resgatados em condições análogas a escravidão são terceirizados e 8 em cada 10 mortes no trabalho acontecem com eles.

Amanhã (15) está programado o Dia Nacional de Paralisação contra o PL 4330, organizado pelas maiores centrais sindicais do país ( CUT, CTB, NCST) e movimentos populares do campo e da cidade, como MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), Une (União Nacional dos Estudantes) e MST (Movimento dos Trabalhadores sem Terra). O protesto em Campinas começará as 9h no Largo da Catedral, e também contará com a presença de outros sindicatos como o Sinergia (Sindicato dos Energéticos do Estado de São Paulo) de Campinas. O Sindicato dos Químicos de Campinas também se coloca contrario ao projeto, mas decidiu participar apenas do ato em São Paulo e levará dois ônibus com cerca de 40 trabalhadores em cada de Campinas para a mobilização no Largo da Batata as 17h.

Outro sindicato que se coloca contra o PL 4330 é o SITAC (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação) de Campinas, porém está filiado á Força Sindical, uma central ligada aos deputados Paulinho da Força  e Artur Maia (ambos do Partido Solidariedade)  que apoia o projeto de Lei. O presidente do SITAC, Marcos Araújo, considera que “está havendo um mal estar com a Força Sindical porque o Paulinho e o presidente apoiaram o projeto sem consultar os filiados. Na próxima quinta feira (16) nós faremos um Conselho com todas as entidades filiadas para discutir a questão”, afirma. A SITAC não participará das mobilizações de amanhã.

O projeto é de autoria do ex-deputado e empresário Sandro Mabel, e tramita na Câmara dos Deputados desde 2004. A versão atual é resultado do substitutivo do deputado Artur Maia (SD-BA), relator do projeto na Comissão de Constituição e Justiça. Dos 28 partidos com representação na Câmara dos Deputados, apenas o PT e o PSOL votaram integralmente contra a proposta e só um deputado do PCdoB votou a favor.

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