Pesquisa relaciona engajamento político com os sentidos corporais

Por Igor Calil

Tarcísio Torres é doutor em Artes Visuais e professor-pesquisador da PUC-Campinas
Tarcísio Torres é doutor em Artes Visuais e professor-pesquisador da PUC-Campinas (foto: Igor Calil)

A relação dos sentidos com o cérebro está mudando. Uma pesquisa realizada por neurocientistas da Universidade de Zurich, publicada pela revista científica Current Biology, revelou uma alteração nas atividades cerebrais, devido à interação dos dedos polegar, indicador e médio com o uso de smarpthones. Agora, um estudo aponta que os sentidos também podem influenciar no engajamento político do indivíduo.

A pesquisa “As tecnologias do tato e a politização da imagem contemporânea”, do professor Tarcísio Torres Silva, da PUC-Campinas, trata da visualidade háptica, que, basicamente, é uma forma de visão mais sensória, explorando outros sentidos do corpo. “É sentir na pele ou, pelo menos, sentir a pele do outro”, completa Torres.

Os vídeos da Mídia Ninja são exemplos de como a visualidade háptica e os sentidos podem atuar sobre as decisões do indivíduo que os assiste. Isso porque, segundo o professor, as imagens dão uma perspectiva de corporalidade, aproximando o sujeito da cena. “Não é só o visual. É um corpo que grita, que se assusta, que está na multidão e que pode estar correndo riscos”, explica.

Para a psicóloga Luane Ribeiro, as sensações além do ato de ver podem estar relacionadas à memória. “Determinada cena pode gerar um processo de abertura do território de leitura da memória do indivíduo e, então, vai despertar uma emoção por ele já vivida ou imaginada”, afirma.

Oriunda do campo das artes, a visualidade háptica já é utilizada, tradicionalmente, no marketing político. O corpo a corpo, o beijo no rosto e o aperto de mãos são formas que o político utiliza para se aproximar do eleitor, para atingir seu objetivo: ganhar o voto. Está presente, também, no marketing de produtos. Os diferentes cheiros das lojas em um shopping, por exemplo, são utilizados para despertar sensações e atrair clientes.

Contudo, agora, pode servir também para o ativismo político. Num tempo em que a informação está cada vez mais rápida e a tecnologia é capaz de alterar a comunicação do cérebro com outras partes do corpo, o apelo às sensações pode ser mais uma forma de mobilizar a sociedade e gerar debates.

A pesquisa deve ser concluída no final deste ano e publicada no início de 2016.

Editado por Gustavo Gianola

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