Semana Santa: Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus

Por Rafaella Cassia.

A Semana Santa é o período que começa no Domingo de Ramos, que em 2015 ocorreu no dia 29 de março e vai até o Domingo de Páscoa, comemorado neste ano no dia 05 de abril. Durante os sete dias, a Igreja Católica celebra a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo. A equipe do Digitais conversou com o Arcebispo Metropolitano de Campinas, Dom Aírton José dos Santos.

Dom Airton José dos Santos durante a celebração da Páscoa de 2014 (Foto: Mariana Maia)
Dom Airton José dos Santos durante a celebração da Páscoa de 2014 (Foto: Mariana Maia)

Digitais: Qual o significado para a Igreja Católica da Semana Santa?

Dom Aírton: Para nós, não é apenas um evento histórico, é também, até porque é comprovado historicamente tudo o que aconteceu, mas não é só um evento, isso tem a ver com a fé. Semana Santa é um percurso feito por Jesus desde a sua entrada em Jerusalém e depois todas as atividades que acontecem em Jerusalém e que vão descortinando o resultado, que é a prisão, a condenação, crucificação e a ressurreição. É um conjunto de elementos e ele é corroborado por tudo aquilo que os cristãos viveram desde o princípio, que é a certeza que Jesus Cristo ressuscitou, ou seja, nós começamos no Domingo de Ramos, mas a Semana Santa inteira está iluminada pela Ressurreição, senão não teria sentindo a expectativa do povo judeu esperando Messias, não teria sentindo as atitudes de Jesus diante do Templo, diante dos Fariseus, dos Sumos Sacerdotes, diante do governo, de Herodes, de Pilatos e não teria sentido a troca de Jesus por Barrabás. Se não tiver esta iluminação da Ressurreição, você não consegue entender estes fatos, estes acontecimentos, e as consequências disso, o julgamento. Se nós celebramos na Semana Santa todo este arco de acontecimentos, isso para nós, hoje, tem uma razão muito forte. O que impulsiona esta celebração é a certeza que a Ressurreição é um fato, para nós que cremos é um fato, não é uma história.

D: Fale um pouco sobre a Paixão de Cristo.

D.A.: A paixão envolve algumas circunstâncias, então primeiro a ceia com os discípulos, depois o Horto das Oliveiras, depois a prisão, a condenação injusta, o escárnio, o desprezo que o nosso Senhor sofre neste período e depois carregar a Cruz, tomar sobre si a Cruz até o calvário, ser pregado a Cruz, tudo isso constitui a Paixão de Cristo. A Paixão não é um sentimento de Jesus, mas é um drama que Jesus vive por causa da humanidade. Jesus Cristo aceitou a Paixão para salvar o ser humano de dentro para fora. A Paixão de Cristo tem a ver com a paixão da humanidade.

D: Para o senhor, como é viver nesta época?

D.A.: Todos nós católicos e batizados já vivemos, no período da Quaresma, uma preparação. Desde a Quarta-feira de Cinzas entramos num ritmo de preparo para as celebrações da Semana Santa e da Páscoa, daí é a meditação da Palavra de Deus, oração mais intensa, a prática da caridade, ajudar as pessoas sem esperar muito retorno. Essa preparação é importante, por isso tomamos atitudes: na oração, no jejum, na esmola. A oração é fazer um encontro com Deus, procurar conhecer a Deus melhor e mais profundamente; o jejum é saber que nós somos obra criada por Deus, não somos alguma coisa que foi jogada e nós temos uma dignidade e quando a pessoa adquire a capacidade de assimilar esta dignidade, ela não se deixa instrumentalizar por nada e nem por ninguém, o jejum tem esta capacidade, você se domina, e não domina o outro, o outro não é perigo para nós, perigo para nós somos nós mesmos; a esmola não é quando você não domina o outro, mas quando você serve na medida da necessidade do outro, não é só esmola de dar dinheiro, mas é fruto da sua compreensão, você se renova e você age, a tua esmola é fruto da sua conversão, do teu caminho espiritual.

D: A Páscoa se tornou uma data comercial. Como o senhor vê isso?

D.A.: De fato é uma data comercial, é assim que a sociedade fez. Acabou virando uma data comercial, isso porque nós deixamos o mercado dominar um pouco sobre nós mesmos. É ruim dar presente e receber presente? Não é, todo mundo gosta de dar e receber presentes, agora é ruim quando você troca a pessoa pelo presente e isso é mercado.Tem gente que gosta de chocolate, tem gente que gosta de panetone e esses elementos que são da nossa cultura, do nosso modo de ser, podem ser associados, mas o problema é o modo como são associados, nós colocamos o conteúdo da Páscoa no ovo, no chocolate. Para nós cristãos, para nós católicos, a Páscoa nos faz lembrar Jesus Cristo ressuscitado. Nós trocamos o eterno pelo passageiro, trocamos aquilo que é essencial por aquilo que é circunstancial. O importante na Páscoa é a Ressurreição de Jesus Cristo e a nossa ressurreição, agora, tudo que está em volta é melhor e ajuda, mas não podemos substituir o que é festejado pelas coisas com as quais ele é festejado. A celebração da Páscoa está em primeiro lugar e tudo que for feito para corroborar e fazer com que esta celebração seja mais explícita, não tem problema, mas não pode substituir o sentido pela qual existe.

Editado por Willian Sousa

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