Reforma na avenida Francisco Glicério pretende contribuir a toda população campineira

Por Gustavo Gianola

A revitalização da Avenida Francisco Glicério consiste em enterramento da fiação, mudança das calçadas, ampliação do número de bancas, troca da rede de água e esgoto, além de estacionamentos subterrâneos e iluminação. As obras começaram no dia 23 de fevereiro. No âmbito sociocultural, o historiador, docente e membro do Centro de Memórias da Unicamp, Fernando Antônio Abrahão explica que a melhoria da malha viária urbana é obrigação do poder municipal e dá importância à trajetória de desenvolvimento da Avenida ao longo do século XX.

Ao ser questionado sobre o valor de R$7 milhões de reais investidos em recursos públicos, o historiador enfatiza os resultados que esse investimento trará para Campinas. “A av. Francisco Glicério tornou-se uma das mais, senão a mais importante via da cidade, movimentando boa parte da economia. Devido a essa importância, a ‘revitalização’ iniciada recentemente pretende trazer bem-estar às pessoas que passam pelo local. O aspecto social e cultural dessa melhoria, portanto, pode ser analisado pelos sentidos de modernidade e de bem-estar que a obra oferece”, conclui.

As obras começaram no dia 23 de fevereiro
As obras começaram no dia 23 de fevereiro (Foto: Gustavo Gianola)

Há relatos de que lojistas estão em dúvidas sobre quais serão as readequações necessárias para a nova instalação elétrica e quanto tempo vão durar essas obras. A comerciante Márcia Caballero é dona de uma loja de doces há 8 anos na Avenida e ainda têm dúvidas em relação aos resultados da revitalização. “O movimento da minha loja caiu em relação aos outros meses de 2015. Percebi isso por causa das obras que acabam gerando confusão. O ponto de vendas em que eu trabalho é muito movimentado e, com caminhões e tratores passando de hora em hora, acaba dispersando alguns clientes que antigamente passavam em frente. Eles procuram caminhos alternativos para não pisar na terra ou desviar de algum tipo de obra”, afirma.

O historiador rebate a opinião da comerciante e afirma que as modernidades dos equipamentos públicos são importantes para o dia-a-dia de todos e também facilitar o cotidiano da vida atual. Afirma também que todos devem ganhar com as obras e é necessário ter paciência para que as vantagens atinjam moradores, público e empresários.

Serão distribuídas 16 novas bancas comerciais projetadas para a Glicério, que ocupará bulevares onde atualmente é uma das vias de tráfego. A possibilidade de aumento de trânsito na região e a perda de clientes de comerciantes antigos para o espaço aberto aos novos lojistas é esclarecido por Abrahão como irrelevante; ele explica a reforma como um bem para todos, independentemente de não conhecer sobre engenharia de trânsito. “Como eu disse, acredito que todos devem ganhar com uma obra desse porte. O poder municipal deve trabalhar par ao bem-estar de todos. Acredito que esse esforço não deve resultar apenas em maquiagem para tornar o local da cidade mais agradável. Todos os envolvidos devem ser ouvidos”, explica.

Pedestres são obrigados a mudar de direção para evitar as obras
Pedestres são obrigados a mudar de direção para evitar as obras (Foto: Gustavo Gianola)

Ao relembrar algumas das importantes transformações históricas e culturais do centro de Campinas, o historiador resgata as importâncias que a região contribuiu para a economia e desenvolvimento da cidade ao decorrer dos anos. “O centro de Campinas sempre foi local de grandes eventos e movimentos sociais, especialmente suas praças. Elas serviam ao lazer público, reuniões de grupos políticos, feiras e festas. Os chafarizes das praças como no Largo do Pará serviam para abastecer de água alguns lares do centro, durante boa parte do século XIX. A Av. Francisco Glicério chamava-se Rua do Rosário. A alteração do nome ocorreu em 25 de novembro de 1889, apenas dez dias após a proclamação da República. Foi uma clara deferência ao político republicano e abolicionista Francisco Glicério, que muito trabalhou em prol dessas duas causas. Depois ela foi alargada e, desde então, passou a ser uma das principais vias da cidade.”

As políticas públicas de Campinas modificaram o Centro em diferentes aspectos. A cidade atravessou os três principais ciclos econômicos do Brasil: a agricultura da cana de açúcar, a do café e, atualmente, a industrialização. As riquezas acumuladas nesses ciclos contribuíram para a urbanização da cidade.

“Imagine que, em 1774, ano oficial de sua fundação, Campinas tinha uma população de cerca de 300 pessoas e hoje somos mais de 1 milhão de habitantes. Esse extraordinário crescimento deixou marcas ao longo de sua urbanização. E a cidade tem vários bairros, monumentos e prédios públicos e privados que registram esses movimentos.

Campinas está em busca de sua modernidade. É uma cidade rica que precisa investir em melhorias para a população. Os governos ainda têm muito a fazer.” afirma o historiador.

 

Editado por Ana Carolina Pertille

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