Consumo da pimenta requer cuidados pela alta quantidade de sódio

Por Fernando Corilow

A informação nutricional dos produtos revela que muitos molhos de pimenta possuem grande quantidade de sódio (Foto: Fernando Corilow)
A informação nutricional dos produtos revela que muitos molhos de pimenta possuem grande quantidade de sódio (Foto: Fernando Corilow)

Apontado como um alimento que traz diversos benefícios à saúde, como o fornecimento de vitaminas e a prevenção de várias doenças, a pimenta exige atenção dos aficionados por sempre dar um tempero mais picante às refeições. As informações nutricionais da maioria dos molhos de pimenta industrializados mostram que há um grande acréscimo de sódio, o qual, quando ingerido em grande quantidade, pode trazer sérios problemas à saúde, como câncer no estômago e problemas cardiovasculares. Em alguns molhos de pimenta, por exemplo, a quantidade de sódio chega a ser até três vezes mais do que na mesma porção de outros condimentos, como o ketchup e a mostarda.

Apesar dos altos índices de sal nos molhos, a pimenta é um alimento bastante recomendado por médicos, e diversas pesquisas científicas comprovam seus benefícios à saúde. Além de ser fontes de vitaminas C, A e complexo B, estudos demonstram que a capsaicina, fitoquímico presente na pimenta e que dá a ardência ao alimento, pode previnir uma série de doenças, como câncer, enxaqueca, reumatismo e até problemas cardiovasculares, como pressão alta. Uma pesquisa da Faculdade de Nutrição da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), por exemplo, demonstrou que doses diárias de pimenta podem reduzir o colesterol. Por conta desses benefícios, a pimenta hoje é classificada como um alimento funcional – ou seja, contribui para o bom funcionamento da saúde e pode prevenir doenças.

Para quem gosta da pimenta, esses benefícios à saúde são um incentivo a mais para o consumo da especiaria. O engenheiro de materiais Natanael Moreira, que praticamente só come comida apimentada, afirma que tem “certeza de que a pimenta é mais saudável que preparados industriais como o ketchup ou o molho barbecue.”

Porém, é exatamente no processo de industrialização que a pimenta, mesmo com seus benefícios comprovados pela ciência, transforma-se num alimento perigoso à saúde. Isso ocorre porque o sal, que acentua o sabor e é utilizado na conservação dos alimentos, costuma ser utilizado em grande quantidade nos molhos de pimenta.

A nutricionista clínica e pós-graduada em obesidade e doenças cardiovasculares, Alice Carniel, explica que “todo alimento industrializado, por mais que pareça natural, sofre processos que promovem modificações e consequentemente perda de um nutriente”. Alice lembra, também, que “o sódio é apontado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como um fator preocupante da alimentação”, e pode gerar ou agravar doenças como câncer no estômago, osteoporose, cálculo renal e problemas cardiovasculares.

O molho de pimenta possui o maior índice de sódio do que outros condimentos (Infográfico: Fernando Corilow)

 

Uma das alternativas para os fascinados por pimenta são os molhos artesanais ou caseiros. Ao contrário da maioria dos industrializados, alguns destes produtos recebem apenas a adição de vinagre, e não apresentam nenhuma quantidade significativa de sódio. Normalmente, porém, o custo dos molhos artesanais é maior – o molho industrializado, em supermercados, pode ser comprado por quatro ou cinco reais, enquanto que os artesanais, normalmente, passam dos dez. Moreira conta que o molho de pimenta que mais consome é uma marca específica industrializada, por conta do sabor. Mas explica que também adora “preparados caseiros de pimentas não misturadas. Especialmente se estiverem no azeite, quando o preparado fica mais forte”.

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Diante de tantos sabores, preços e valores nutricionais diferentes, a grande recomendação aos amantes da pimenta é a pesquisa. Com um olhar mais apurado ao fazer as compras é possível encontrar os molhos preferidos sem qualquer adição de sódio ou outros ingredientes prejudiciais à saúde. Alice também recomenda a ingestão da pimenta pura e em quantidades controladas, já que “a recomendação é o consumo de até 30mg/dia de capsaicina para que se obtenha o efeito terapêutico” (o que é equivalente, por exemplo, à ingestão de ½ pimenta malagueta ou 6 unidades da pimenta dedo-de-moça).

A nutricionista conclui explicando que a pimenta é um alimento saudável, e que não há grandes contraindicações ao alimento. Ela apenas ressalta que o ardor da capsaicina pode causar desconfortos abdominais em indivíduos que possuem gastrite, por exemplo. Mas ela lembra que esses possíveis desconfortos são “uma questão particular, sendo que estas reações adversas não ocorrem em todos os pacientes.”

Editado por Ana Carolina Pertille

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