Agricultura brasileira consome 72% da água do país

Por Raíssa Bazzo

Uma pesquisa recente da Agência Nacional de Águas (ANA) mostra que a agricultura brasileira consome 72% da água do país. No restante do mundo, aproximadamente 70% de toda a água potável é utilizada para irrigação, enquanto as atividades industriais consumem 20% e o uso doméstico 10%.

O agrônomo Caian Berger explica que existem vários sistemas de irrigação e, dentre os mais utilizados, estão os sistemas de pivô central, autopropelido e gotejo, mas nem todos podem ser utilizados em qualquer tipo de plantação. O gotejo, por exemplo, funciona com uma mangueira no pé da plantação e a água é irrigada de forma pingada. Apesar de ser o modo mais eficiente, ele não pode ser implantada em plantações como cana, soja e milho. O investimento também é o mais alto.

O pivô central funciona, basicamente, como chuva. A pressão faz com que a água seja bombeada para o alto e faça rotação em volta do aparelho. Já o autopropelido funciona de maneira semelhante ao pivô, porém sem rotação e bombeia a água para um único sentido.

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Sistema de gotejamento exige um investimento maior do que os outros (Infográfico: Raíssa Bazzo)

O gotejamento, apesar de exigir maior investimento, é o que mais economiza água. Berger explica que nos outros dois sistemas cerca de 30% da água não é absorvida pela planta, ocorrendo, assim, o desperdício. Por cair diretamente na raíz da planta, o gotejo se torna mais eficiente e o nível de aproveitamento da água chega a 98%. Entretanto, em ano de muita seca, o gotejamento pode não ter o aproveitamento suficiente em determinadas plantações e é necessário utilizar outra forma de irrigação.

A quantidade de água que cada plantação precisa para sobreviver é calculada a partir de um coeficiente, baseado nas quantidades de água que a planta perder para suas enzimas, a chamada evapotranspiração. A partir deste coeficiente, é irrigada a quantidade necessária para a produção da safra.

A água utilizada na agricultura volta para o lençol freático e, consequentemente, para os rios. “Por isso, ela não deve ser considerada a vilã da falta de água”, conclui Berger.

Editado por Bruna Gomes

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