Grupo “Máquina do Mundo” distribui “abraços grátis” durante manifestação em Itapira

Por Marília Alberti

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Durante protesto, popular abraça Rodrigo, um dos integrantes do grupo (Foto: Marília Alberti)

Com o objetivo de causar uma reação inesperada em meio às manifestações pelo País, o grupo “Máquina do Mundo” da cidade de Itapira, interior de São Paulo, promoveu na manhã de domingo, 15, às 9h00, a distribuição de abraços grátis. A intervenção artística tomou conta da Praça Bernardino de Campos e despertou olhares daqueles que assinavam pelo pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). A representante do grupo, Letícia Souto, 18 anos, explica que a iniciativa surgiu de repente e acredita que movimentos como este são indispensáveis. “Creio que, em momentos de tensão como o que vivemos no País ultimamente, torna-se extremamente necessária uma ação como esta. Vejo um ódio gratuito muito grande por parte da direita, e a desinformação é a maior causa”, diz. “Combater ódio com mais ódio não funciona, daí a ideia dos abraços”, acrescenta.

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Príncia, preenchendo o abaixo-assinado, encarou movimento dos jovens como bagunça (Foto: Marília Alberti)

Além de abraços, o grupo exibia um cartaz com os dizeres: “Menos ódio. Mais informação”. Grande parte dos manifestantes considerou a campanha válida. Em contraponto, a aposentada Príncia Maria Pereira Machado, 68 anos, alega que o movimento foi encabeçado por jovens sem princípios. “A informação que nós temos é aquela que nós vivemos no dia a dia. Sou a favor do impeachment e contra essa meninada que não sabe o que está fazendo. Se viessem me abraçar, abraçaria por pena”, declarou. Já o organizador do protesto, Renan Felipe de Moraes, 22 anos, que recolhia assinaturas em fichas pedindo a saída da presidente, apoiou a atitude do grupo. “Contra ou a favor, tem que participar”. No entanto, se contrapôs à mensagem que era passada. “Acredito que a informação está ao alcance de todos. Cada um vai atrás dela como quiser”, argumentou. Letícia discorda: “A informação é aberta a todos, mas as pessoas se fecham”.

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Grupo acredita que há muito ódio gratuito causado pela desinformação e falta de bom senso (Foto: Marília Alberti)

DO CONTRA

Em meio à discrepância, a artista plástica Olga Maria Job Serra, 57 anos, encarou o ato como um desempenho artístico. Mas, mesmo sendo a favor, criticou os jovens. “Não importa se são a favor ou contra o impeachment, mas eles não estão preocupados com política, querem tumultuar. Todo mundo que está na fila tem informação. Eles não nos representam”, criticou. Os integrantes do grupo, cientes de críticas como essa, afirmaram que, apesar de apresentarem um posicionamento, a presença no evento não foi marcada por representar um ou outro partido, mas sim por tentar diminuir a falta de bom senso e, principalmente, semear o amor entre as pessoas. “Cumprimos nossa missão. Somos contra o impeachment e qualquer outra decisão tomada irracionalmente. Se não vivêssemos numa democracia, esse protesto não iria acontecer. As pessoas que pedem pela intervenção militar não têm noção da liberdade de expressão que possuem hoje. O ódio faz mal a nós mesmos e aos outros”, finalizou Letícia.

Editado por Willian Sousa

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