Jornalista Paulo Markun rejeita ideia de impeachment de Dilma em evento na Unicamp

Por Ricardo Magatti

O jornalista e escritor Paulo Markun comentou na noite de ontem, 10, as histórias do seu livro “Brado Retumbante”, lançado no final do ano passado, quando completou-se meio século do golpe militar de 64 e 30 do movimento democrático “Diretas Já”. Ele aproveitou o encontro, realizado no anfiteatro do Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) da Unicamp, para ir contra a ideia de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, mas apoiou as manifestações tanto a favor da presidente como contra seu governo.

Sobre a atual conjuntura política, o jornalista refutou a ideia de um eventual impeachment da presidente Dilma Rousseff. “O fato é que essas pessoas (as que clamam pelo impeachment) estão embarcando numa viagem que não sei aonde vai parar. Uma coisa é acreditar que o governo atual é ruim e precisa ser substituído, mas não pelo impeachment, ele não resolve nada. A população não deve se omitir, mas o que vai mudar colocar o vice-presidente no lugar de Dilma?”, finalizou Markun.

O encontro acrescentou muito para os estudantes presentes.“É uma experiência incrível poder ver de perto a palestra de um jornalista com tanta bagagem cultural e que viveu e lutou, de fato, pelo país, contra a opressão militar”, disse o estudante de Letras, Vitor Hugo Santos. O jornalista, que foi apresentador do programa Roda Viva da TV Cultura por dez anos, dissecou os registros históricos presentes na obra – dividida em dois volumes -, que segundo ele, tem como diferencial o enfoque.

paulo markun
Jornalista Paulo Markun conta histórias do seu livro sobre ditadura “Brado Retumbante” (Foto: Ricardo Magatti)

“O grande trunfo do projeto é o enfoque. É uma história da luta pela democracia que valoriza as tentativas de reconquistar os direitos dos cidadãos pela via legal. Para isso ressalta a ação da oposição parlamentar, da chamada imprensa alternativa, da sociedade civil, dos estudantes e trabalhadores”, disse.

Markun também questionou a capacidade da internet – principalmente por meio das redes sociais – registrar a história atual no futuro e selecionou alguns personagens importantes para a política brasileira, na visão dele, no período ditatorial. “São vários, mas em qualquer lista entraria nomes como Ulysses Guimarães, Leonel Brizola, Tancredo Neves, Ernesto Geisel, Golbery do Couto e Silva e Lula”.

O jornalista relembrou alguns fatos da época do regime militar, como o registro da morte do ex-presidente João Goulart pela imprensa e destacou a importância desse resgate histórico para a geração atual. “Resgatar esses fatos políticos é importantíssimo para os jovens de hoje. Só entende a política hoje, quem tem conhecimento do passado do nosso país. Alguns não lembram, mas foi Tancredo Neves quem fez o discurso diante do caixão de João Goulart, por exemplo”.

Serviço
Livro: Brado Retumbante
Autor: Paulo Markun
Ano: 2014
Editora: Benvirá
Preço: R$ 37,90 – Volume 1 (424 páginas) e volume 2 (480 páginas)

 

Editado por Ana Carolina Pertille

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