Construção seca é alternativa para economia de água

Por Silvana Carias

Com o agravamento da crise hídrica no País, é preciso rever os sistemas de construção adotados atualmente na maioria dos projetos residenciais e comerciais.  A construção baseada nas paredes de alvenaria gera um desperdício maior de água nos canteiros das obras, desde a concretagem da estrutura até a produção da argamassa empregada no assentamento de tijolos ou blocos de cimento.

Segundo Geraldo Neto, engenheiro civil, o Drywall é um sistema construtivo que substitui as paredes internas de tijolos ou blocos por gesso, estruturas metálicas/aço leve, madeira, etc. “Tecnicamente, não há nenhum problema com isso. Para a finalidade que esses materiais foram pensados, eles funcionam muito bem’’, explica.

Há quase uma década surgiram no país várias empresas com sistemas para a construção seca de casas, comuns na Europa, nos Estados Unidos e Canadá. Elas utilizam elementos pré-fabricados, dessa forma a estrutura rígida tem peças metálicas, de madeira ou de gesso que chegam à construção prontas para a montagem.

Silvana Carias
Gráfico compara  o uso de água no processo comum de construção (Arte: Silvana Carias)

O consumo de água nas construções de alvenaria é de, aproximadamente, 500 litros para cada metro quadrado de área construída, segundo o engenheiro civil Dalton Siqueira Dona. É por isso que o processo da construção seca gera economia de água nos canteiros das obras.

drywall
Placas do sistema de montagem construtiva Drywall (Foto: Silvana Carias)

Mesmo assim, a alvenaria tradicional continua sendo a preferida entre os brasileiros. “No Brasil, nós temos a ‘cultura do tijolinho’. A ideia do tijolo de barro que é feito nas olarias. O brasileiro não aceita o drywall nem outros métodos de construção a seco. Muita gente acha que a parede não é resistente”, explica João Augusto Cavedini, Gerente Comercial na área de Construção Civil.

O arquiteto Marcelo Dias acredita que esses sistemas ainda não são tão comuns no Brasil por falta de divulgação e informação. “A maioria dos meus clientes está pedindo a reutilização da água da chuva nas obras, mas a tecnologia totalmente seca ainda não acontece efetivamente. Não faz parte da nossa cultura. O brasileiro gosta da construção convencional’’, conta.

Foi o que aconteceu com a bancária Carmen Dilma Rossetti. Mesmo sabendo da economia de água que as obras secas trazem, optou pela construção de alvenaria. ‘’Eu nem conhecia direito a construção seca, não me interessei e preferi não arriscar’’, explica.
Carmen está construindo há mais de um ano e não confiou nos métodos a seco: ‘’Não é comum no Brasil. São poucas empresas que fazem, então falta credibilidade. As pessoas simplesmente não acreditam’’.

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A obra de alvenaria, apesar de gastar mais água, ainda é a preferida dos brasileiros (Foto: Silvana Carias)

O engenheiro Geraldo Neto acredita que a falta de divulgação gera um tipo de preconceito com relação às obras secas. “Hoje em dia, todos esses materiais são totalmente seguros. O que precisa para um melhor uso disso é mudar a cultura do povo’’, conclui.

João Augusto explica que o Drywall, se comparado a uma parede de tijolo, ainda é um pouco mais caro, porém no geral a obra inteira fica mais barata. “A economia está lá na hora da construção. Quando você começa a comprar menos ferro e menos concreto a sua obra é entregue bem mais rápido. A economia não é só de água, é também de mão de obra e materiais’’, orienta.

Com o cenário atual protagonizado pela crise hídrica, o arquiteto Marcelo Dias conclui que a conscientização da população é fator fundamental: “Não adianta construir uma casa a seco poupando água e não economizando nada no dia-a-dia. Todo o resto deve ser feito junto”.

Editado por Willian Sousa

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