[CRÔNICA] Agora é a nossa vez

Por Bruna Gomes

(Foto: Shutterstock)
(Foto: Shutterstock)

Desde cedo aprendi o que é ser mulher. Vestido rosa, lacinhos, tiaras, batons, esmaltes, bonecas, brinquedos que imitavam verdadeiros utensílios domésticos. Na caixa, inclusive, estava claro que esses brinquedos haviam sido feitos para meninas. Ao longo do tempo, fui criando interesse por carrinhos de corrida, Batman, bola e passei a gostar muito das cores azul e verde. Para ser sincera, na minha cabeça de menina, nunca entendi bem a razão dos brinquedos serem divididos entre garotos e garotas e o por quê de nunca ver um menino vestindo roupa rosa. No entanto, tudo já estava ali, subentendido e para todas as pessoas devia ser assim.

Na minha vida, fui acostumada a ver minha mãe trabalhar muito e minhas avós também. As tias? Uma médica, a do meio jornalista e a caçula advogada. Não consigo imaginar um mundo, no qual mulheres não possam exercer papeis iguais aos dos homens. Contudo, sei bem e não posso me enganar. Ainda hoje, os salários deles são maiores que os salários das mulheres. Para ver que o desrespeito não está apenas dentro das empresas, basta abrir o site da Secretaria da Segurança Pública e observar os números espantosos que compõem os dados do relatório sobre a violência contra as mulheres.

Mas não posso deixar de admitir que nós avançamos, e muito! Se antes eram os homens, que, no topo da sociedade patriarcal, davam a última palavra, hoje são elas que decidem o que devem fazer, quais opiniões querem ter, qual pontuação usar ao final de uma frase, qual roupa vestir, qual profissão seguir, se devem ou não ter filhos, se querem se casar ou não, e muitas outras decisões que são tomadas ao longo da vida.

Entre absorventes, TPM, partos normais ou cesáreas; entre sutiãs, decotes, saltos e saias curtas, são as mulheres que merecem a homenagem nesse dia tão importante. Afinal, fomos nós que criamos coragem para enfrentar os homens, tanto nas pequenas lutas diárias, quanto nas grandes revoluções. Somos, realmente, merecedoras de tudo o que conquistamos até hoje.

O dia 8 de março não deve ser somente o dia de dar flores às heroínas que fazem história por aí. Esse, e todos os outros dias, devem ser de reflexão, de considerar qual o papel da mulher em relação ao mundo de hoje. Não podemos esquecer que o respeito e a consciência da igualdade começam dentro de cada uma de nós e, consequentemente, o sexo oposto passará a aprender a nos respeitar da maneira que sempre devia ter sido. O meu desejo é que nesse dia 8, no próximo e em todos os outros, as mulheres que ainda são subjugadas, ou que ainda não conquistaram a igualdade, tomem as rédeas da situação e coloquem um ponto final no machismo.

 

Editado por Ana Carolina Pertille

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s