Novidade do facebook: travesti como opção

Por Rafaela Barbosa

Qual sua opção sexual? Como prefere ser chamado? Além da vida real, a opção de apresentar-se como preferir também está disponível na vida virtual: o facebook ampliou as possibilidades de escolha de gênero. Muito além de homem ou mulher, o usuário pode agora incluir travesti, transexual entre outras possibilidades (confira no infográfico abaixo). Essa nova opção tem causado impactos na rede social desde segunda-feira (2), fomentando diferentes pontos de vista.

Amara Moira, membro do Coletivo TransTornar (movimento que reúne pessoas trans de Campinas), acredita que a iniciativa possa ajudar a estimar o número de pessoas que identifiquem-se como travesti, por exemplo, além de ser uma ” forma de legitimar vivências mais fluidas e subjetivas do próprio gênero”.

A travesti Amara Moira atualizou sua rede social assim que liberada a novidade (Foto: Página do perfil de Amara no Facebook)
A travesti Amara Moira atualizou sua rede social assim que liberada a novidade (Foto: Página do perfil de Amara no Facebook)

Sobretudo, Amara faz alguns apontamentos: “o momento é eufórico demais para interpretar os sentidos que essa nova possibilidade permite, mas creio que poder colocar “travesti” como gênero é já algo significativo (e será ainda mais quando a opção não for mais customizada, mas uma das opções oferecidas pelo próprio Facebook: mulher, homem ou travesti)”, ressalta.

Questões como “Será que uma travesti quer ser visto como travesti ou como mulher?” ou “Isso me soa como descriminação” são constantes. Quando o assunto é gênero, muitas dúvidas surgem. O publicitário Rafael Fortis, por exemplo, acredita que “Gênero é gênero, só existem dois, como a orientação sexual. O que varia são as escolhas dentro dessas orientações”.

A pesquisadora pós-doc do Núcleo de Estudos de Gênero Pagu, da Unicamp, Carolina Branco Castro Ferreira, explica que  gênero é uma noção que nasceu no campo feminista para explicar a construção social e cultural da diferença sexual. “Isso é, ser homem ou mulher não está ligado a uma determinação biológica”, e acrescenta: “gênero se classifica em masculino e feminino, a principio, mas hoje há um debate  sobre como gênero na verdade é um gradiente de masculinidades e feminilidades”.

Carolina explica ainda que orientação sexual  e gênero são coisas distintas, mas combinam-se de diferentes maneiras: “Orientação sexual seria “homo”, “hetero”, “bi” etc”. A iniciativa do Facebook pode dar visibilidade às questões trans e feministas, além de tratar-se de uma iniciativa democrática. “Ela dá a oportunidade de milhares de pessoas dizerem o que são e como gostariam de serem chamadas, por exemplo”, aponta.

Entenda como a alteração pode ser realizada (Arte: Rafaela Barbosa)
Entenda como a alteração pode ser realizada (Arte: Rafaela Barbosa)

Editado por Willian Sousa

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