Álcool: qual é o limite do abuso e da dependência?

Por Lucas de Lima e Paula Fonseca

Uma pesquisa feita este ano pelo governo norte-americano sobre o comportamento das pessoas com o álcool mostrou que 90% das pessoas que costumam abusar da bebida não são alcoólatras. A pesquisa foi realizada pelo Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC) e foi feita com base em uma análise de respostas de 138 mil em pesquisas sobre o uso de drogas durante os anos de 2009, 2010 e 2011. O resultado mostrou que 29% das pessoas bebiam demais, mas apenas 10% delas se encaixavam na definição de alcoolismo.

No Brasil o quadro sobre o consumo de álcool também é preocupante. A Organização Mundial da Saúde (OMS) mostrou que o Brasil está acima da média mundial em consumo de bebidas alcoólicas. Entre os anos de 2008 e 2010 foram consumidos em média, 8,7 litros de álcool por ano. A média mundial calculada pela OMS é de 6,2 litros. Para saber sobre os limites entre beber demais e o alcoolismo buscamos o psicólogo especialista em dependência química Dr. Marcelo Parazzi, que falou sobre a diferença do alcoolismo e do abuso de álcool, que são duas formas diferentes de problemas.

Hoje no Brasil, dados da OMS mostram que os homens consomem mais bebidas alcoólicas que as mulheres, entretanto há um limite para cada um dos sexos sobre o abuso de álcool que pode vir a se tornar um caso de alcoolismo como explicado anteriormente pelo Dr. Marcelo Parazzi. No quadro abaixo é possível identificar o limite próximo ao alcoolismo divulgado pela empresa norte-americana Animated Dissection of Anatomy for Medicine (A.D.A.M.):

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(Crédito: Paula Fonseca)

 

O álcool mesmo sendo uma droga, quando consumida em níveis controlados e baixos pode ser benéfico para o corpo em algumas situações, oriente o médico Ronaldo Laranjeira, entretanto não deixa de ser uma substância tóxica que se for ingerida em grande quantidade torna-se prejudicial. Ainda que a pesquisa americana mostre que o nível do alcoolismo pode ser menor do que imaginávamos, é necessário que haja atenção com relação aos abusadores.

O que é o alcoolismo

A quantidade de brasileiros que consomem álcool semanalmente cresceu 20% nos últimos seis anos, aponta o 2° Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad) feito em 2013. E de acordo com psiquiatras do Núcleo Einstein Álcool e Drogas (NEAD), a maioria dos jovens de idade universitária costuma beber cinco ou mais unidades de álcool pelo menos uma vez por semana, hábito popularmente conhecido como “binge drinking” (termo em inglês que significa “bebedeira”).

Esse consumo cresce cada vez mais no Brasil e revela uma tendência à dependência e hoje o álcool já é considerado um sério problema de saúde pública. O alcoolismo é uma relação alterada de um indivíduo para com qualquer substância alcoólica e é definido por alguns critérios, sendo um deles a dependência. O consumidor do álcool quando chega nesta fase já bebe grandes volumes regularmente e também acaba sendo tolerante ao álcool.

O alcoólatra, quando não bebe, entra em crise de abstinência e pode ter efeitos colaterais como tremores, excesso de suor e a necessidade de beber para aliviar esses sintomas. Nesta fase é necessário buscar ajuda, pois já há uma dependência da substância.

infográfico 3 - reportagem alcoolismo
(Crédito: Paula Fonseca)

 

Maria O, como quis ser identificada, é ex-dependente e hoje é diretora-secretária do Alcoólicos Anônimos e afirma que a visão preconceituosa da sociedade ainda não enxerga o alcoolismo como doença, “Eles veem o alcoólatra como um vagabundo, um sem vergonha, um desclassificado. São pouquíssimas pessoas que tem conhecimento que aquele bêbado que esta caído na rua é um doente. Ele tem uma doença que é física, mental, espiritual e é incurável mas ela pode ser detida”. Ela como uma grande maioria começou sua vida com o álcool na adolescência entretanto a dependência foi surgindo com o passar do tempo. Ouça seu depoimento de como ela descobriu e aceitou que era dependente do álcool.

O grupo de Alcoólicos Anônimos (AA) não trata o alcoolismo como vício e sim como doença, sendo assim, trabalham com reuniões e auxílio de psiquiatras e ex-dependentes. No local não há diagnóstico, é a pessoa que se identifica como alcoólatra, também não há tratamento com remédios, diferentemente das clínicas que tem um acompanhamento com médicos, psiquiatras e psicólogos especializados. Há um programa de 12 passos que é um programa espiritual, sem restrição de religião.

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O alcoolismo é uma doença que não tem cura e seu tratamento pode durar a vida toda, uma vez que o paciente pode vir a ter recaídas caso não tenha o acompanhamento adequado e o apoio familiar. Para o Dr. Marcelo, o tratamento deve ser feito de forma contínua e para obter sucesso necessita de três “pilares” que ajudarão o alcoólatra.

“Nós não definimos o tratamento da dependência química como cura. Podemos dizer que a cura seria a busca por um tratamento, por um acompanhamento profissional e especializado. Uma situação ideal para o tratamento da dependência do álcool seria um acompanhamento de psicólogo especialista, de um psiquiatra especialista e de um grupo de mútua ajuda como por exemplo o Alcóolicos Anônimos.”

Para evitar recaídas, às vezes são receitados medicamentos. Eles geralmente são usados junto com a terapia cognitivo-comportamental ou um programa de recuperação contínuo. Beber novamente após o tratamento é muito comum, por isso é importante ter sistemas de apoio para conseguir lidar com os lapsos e garantir que eles não se transformem em uma recaída total.

 

Editado por Laura Pompeu

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