Alimentação está ligada com a saúde ambiental

por Nathani Mota

O aumento de renda e a urbanização estão criando uma tendência mundial na alimentação: a dieta global. No entanto, o novo regime mundial é responsável pelo aumento da incidência da diabetes tipo 2, das doenças cardiovasculares, além de 80% do aumento da emissão dos gases do efeito estufa e pelo desmatamento. A teoria foi publicada em um artigo da revista Nature por David Tilman, ecologista da Universidade de Minnesota, e Michael Clark, engenheiro ambiental da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara.

A dieta que está em alta é composta basicamente de alimentos processados, açúcar refinado, gordura saturada, óleo e carne; substituindo a alimentação tradicional. Porém, esses novos padrões alimentares estão resultando em um aumento do índice de massa corporal (IMC) e o aumento da incidência de doenças crônicas não transmissíveis, especialmente do diabetes tipo 2, doenças arteriais, e alguns tipos de câncer.

A nutricionista Lenira Maximiano explica que o aumento do consumo de alimentos industrializados trouxe elementos em excesso para a nossa alimentação. “É uma quantidade grande de sódio, gordura, açúcar e proteína que o nosso corpo não precisa e isso já está afetando a nossa saúde”.

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(Crédito: Nathani Mota)

 

Na China, por exemplo, com o aumento de renda e a mudança do regime, a incidência da diabetes tipo 2 aumentou de menos de 1% da sua população em 1980 para 10% em 2008, em parte porque a diabetes tipo 2 ocorre com pessoas com IMC baixo e mais cedo em asiáticos do que em populações ocidentais.

Segundo o artigo, se essa tendência continuar a crescer, essas doenças se tornarão dois terços das doenças no mundo.

Porém, Tilman e Clark não se mostram preocupados apenas com a nossa saúde, mas também com a saúde ambiental. Eles afirmam que a agricultura e a produção de alimentos liberam mais de 25% de gases do efeito estufa, poluem água doce e salgada com agrotóxicos, e usam como terra agrícola e terra de pasto cerca da metade da área coberta por gelo da Terra.

Além disso, a dieta mundial está diretamente relacionada com o aumento da população mundial, que precisa de espaço e logo o desmatamento de áreas florestais vai ser maior e isso pode causar a extinção de espécies. Além, é claro, da maior demanda por alimentos.

Os autores afirmam que impor o fim dessa tendência vai ser um dos maiores desafios da humanidade porque a dieta global conecta diretamente e negativamente a sustentabilidade e a saúde do homem. “Soluções significativas não serão facilmente encontradas. As soluções vão exigir análises quantitativas que façam uma ligação entre os hábitos alimentares, o meio ambiente e a saúde da população”, afirmam.

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(Crédito: Nathani Mota)

 

Editado por Tiago Soares

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