Casos de Aids crescem entre os jovens

Por Fabiana Oliveira

Hoje é o Dia Mundial de Luta Contra a Aids. O Ministério da Saúde divulga, ainda hoje, o Boletim Epidemiológico Aids e DST (doença sexualmente transmissível) e já houve uma prévia dos números através da Web Radio do Ministério. As notícias são preocupantes para um grupo em especial: os jovens. De 2004 a 2013, o número de pessoas entre 15 e 24 anos infectadas pelo HIV subiu de 9,6 (a cada 100 mil habitantes), para 12,7. Ou seja, um aumento de cerca de 30% no número de casos. O aumento é mais expressivo entre os homens.

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Do Ministério da Saúde (Crédito: Divulgação)

 

Além do recorte por gênero e faixa etária, o Boletim também divide os números por região. No Brasil, os casos de mortalidade por Aids são de 5,7 (para cada 100 mil habitantes), mas o número muda de uma região para outra. No Sul, o número de mortes é de 8,1.

Nos dados gerais, pontos positivos: levando em conta todas as faixas etárias, observou-se queda de 20% do número de novos infectados. Enquanto, em 2007, ocorreram 8.482 novos casos, no ano passado o número caiu para 6.830 pessoas.

A VOZ DE QUEM LUTA

Roberto Geraldo da Silva é fundador e presidente da Associação de Apoio a Portadores de Aids Esperança e Vida, que atua há 24 anos em Campinas, tratando, em 2014, 400 pessoas entre portadores do vírus HIV e dependentes químicos, sendo 100 em regime interno. Silva enxerga mudanças na maneira como o preconceito em discriminação aparecem no cotidiano das pessoas: “Hoje parece não ser tão explícito e evidente como no passado. Fica até mais difícil detectar, por conta de que a coisa está muito maquiada, é muito discreta”. Mas até mesmo as crianças passam por constrangimentos: “Na escola, por exemplo, quando a mãe relata para a direção, às vezes, há um certo exagero nos cuidados, o que acaba expondo a criança, porque os colegas começam a se perguntar o motivo”.

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Símbolo de luta (Crédito: Fabiana Oliveira)

Ele acredita que uma ideia de seguridade, em relação à doença, está circulando no senso comum e teme o perigo dessa visão: “A mídia passa uma ideia que de a doença está sob controle, o que cria uma falsa segurança, até mesmo no portador. As campanhas esporádicas também não ajudam, precisamos de campanhas permanentes. Antigamente, você tinha celebridades que se expunham e isso deixava as pessoas sob aviso. Agora, a Aids está vivendo um tabu: ninguém quer mais mostrar a cara, porque o preço continua alto”.

Segundo ele, há um discurso que faz parecer que trata-se um problema que está ficando menor, mas os números dizem o contrário: “entre os atendimentos, há quem necessite de 34 comprimidos por dia para sobreviver. No ano passado, morreram sete aqui, em decorrência dos efeitos colaterais. A casa recebe cerca de dez pedidos de internação por dia”.

DISCRIMINAÇÃO É CRIME

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Lei 12. 984, sancionada em junho de 2014 (Crédito: Reprodução)

Desde junho desse ano, é crime discriminar pessoas portadoras do vírus do HIV e doentes de Aids. Após onze anos tramitando no Congresso Nacional, no dia 4 de junho de 2014, a Presidenta Dilma Rousseff sancionou a lei que estabelece punições para quem “recusar, procrastinar, cancelar ou segregar a inscrição ou impedir que permaneça como aluno o portador de HIV em creche ou estabelecimento de ensino de qualquer curso ou grau, público ou privado” ou “negar emprego ou trabalho, exonerar ou demitir de cargo ou emprego, segregar ou retardar atendimento de saúde e divulgar a condição de portador do HIV ou de doente de Aids com o intuito de lhe ofender a dignidade”, de acordo com o texto. As punições variam de multa a pena de prisão.

OUTRAS PERSPECTIVAS

Nem só de números “tristes” se pinta esse quadro: em maio desse ano, a Organização Mundial da Saúde (OMS) convocou o Primeiro Fórum Latino Americano e do Caribe sobre a Atenção Contínua ao HIV, estabelecendo metas, até 2020, para reduzir o número de novas infecções e melhorar a qualidade de vida as pessoas com Aids. As metas estipuladas foram apelidadas de “90-90-90”. O motivo: o objetivo é aumentar em 90% o número de pessoa que, portando o vírus, saibam seu diagnóstico; aumentar para 90% o número de portadores que recebam o tratamento antirretroviral e que 90% dos pacientes em tratamento tenha a carga viral suprimida.

PREVENÇÃO

O método mais eficaz para a prevenção da Aids e outras Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST), além da informação, continua sendo a camisinha que, desde 1994, é disponibilizada gratuitamente em postos de saúde, organizações não governamentais e outros locais, de acordo com a determinação dos governos estaduais e municipais, que as recebem do Ministério da Saúde. Vista-se! Preserve-se!

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Campanha no terminal de Barão Geraldo (Crédito: Fabiana Oliveira)

 

Editado por Tiago Soares

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