Filme Interestelar: Ficção (quase) científica

Por Aline Pavani

A mega produção cinematográfica que estreou esse mês no Brasil, Interestelar, é um combo imperdível para quem gosta de viagens pelo espaço, ficção científica e astrofísica.

No filme, uma equipe de astronautas sai em uma missão intergaláctica através de um buraco de minhoca. Na outra ponta do universo, eles encontram um sistema de planetas que giram em torno de um buraco negro. Para que a produção fosse possível, o diretor Christopher Nolan confirmou em diversas ocasiões que precisou realizar um curso de física relativa para escrever o roteiro. Mas não acredite em tudo que você viu nas telonas, afinal, o buraco de minhoca (wormhole) existe mesmo? A relatividade funciona da maneira como nos foi apresentada? O físico e mestre em astronomia pela USP, Leonardo Lago, nos esclarece algumas dúvidas.

Antes de continuar a leitura, lembre-se: o conteúdo abaixo contém spoilers do filme.

Em “Interestelar” os astronautas viajam pela galáxia através de um buraco de minhoca. Segundo Lago, o buraco de minhoca só existe em tese, pois até o momento nunca nenhum foi observado. Eles podem existir, teoricamente, como um “atalho” do universo, uma ruptura no espaço-tempo. Assim, seria possível transitar, quase que instantaneamente, entre dois pontos do universo sem ter de percorrer a distância se movendo pela superfície, o que levaria expressivamente muito mais tempo.

A imagem representa o suposto buraco de minhoca que é feito no universo (Crédito: Divulgação)
A imagem representa o suposto buraco de minhoca que é feito no universo (Crédito: Divulgação)

Para alguns teóricos o buraco de minhoca só poderia existir se for microscópico. De acordo com Kip Thorne, físico que auxiliou na produção do longa, grandes corpos — como uma nave espacial — poderiam passar por esse buraco. Ainda assim, não é possível prever se chegaríamos vivos do outro lado: a criação desse fenômeno mobilizaria energias tão fortes quanto as que existem em um buraco-negro.

Buraco Negro

Quando, no filme, os astronautas viajam para a outra ponta da galáxia encontram os planetas que possivelmente podem ser habitáveis. O grande problema mora mesmo ao lado. Um imenso buraco negro, nomeado de Gargantua, com uma força gravitacional tão forte, capaz de distorcer drasticamente o tempo. No planeta oceânico do filme, por exemplo, apenas uma hora em sua superfície equivale a sete anos muito bem vividos na Terra. Lago explica que o buraco negro tem mesmo essa força. “Na verdade, qualquer corpo com massa é capaz de distorcer o tempo, mas corpos com pouca massa não causam um efeito perceptível”, resume.

E é aí que entra e Teoria da Relatividade e a mudança que ela trouxe na concepção de tempo. “Antes, sempre consideramos o tempo como uma entidade absoluta, isto é, ele transcorreria de maneira igual em qualquer ponto do universo e para qualquer pessoa. Hoje sabemos que não é assim! A passagem do tempo sofre influência, por exemplo, do campo gravitacional e do movimento relativo. Assim, para uma pessoa perto do Sol ou em movimento, o tempo passará diferente em relação a uma pessoa perto da Terra e em repouso”, expõe Lago.

O Buraco Negro supermassivo Gargantua (Crédito: Divulgação)
O Buraco Negro supermassivo Gargantua (Crédito: Divulgação)

Mas e a quinta dimensão?

No longa, o astronauta Cooper, após se desvincular da nave principal, entra diretamente em um buraco negro e lá é exposto ao contato com uma espécie de quinta dimensão, isso porque, no filme, os humanos são capazes de controlar a gravidade.

Para não deixar que a imaginação se aflore muito com a ideia, é importante saber: a questão de outras dimensões, antes de ser ficção, ainda é um ponto aberto da física. Segundo Lago, algumas teorias físicas, como a teoria das cordas, advoga que existem mais dimensões do que as quatro que temos acesso (altura, largura, comprimento e o próprio tempo). Existem teorias que postulam sete ou onze dimensões. Segundo elas, alguns fenômenos que vemos é resultado de transformações que ocorrem nessas outras dimensões. Mas essas ainda são apenas ideias. “Se essas outras dimensões de fato existirem, a ideia de que possamos controlá-las ou transitarmos entre elas é ainda uma boa ficção”, encerra o físico.

E como nem tudo é física ou apenas ficção, vale ressaltar os pontos positivos e os cenários controversos apresentados no drama.

Erros e acertos do filme Interestelar (Crédito: Aline Pavani)
Erros e acertos do filme Interestelar (Crédito: Aline Pavani)

 

A verdade é que o objetivo do diretor de Interestelar é contar uma história e, nesse sentido, ele é muito bem sucedido. O longa metragem é uma aventura de três horas que passa sem que ao menos possamos perceber o tempo passar (ou, quem sabe, é só a Teoria da Relatividade agindo). Confira o trailer:

 

Editado por Luana Freire

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