Moradia assistida é tema de produção campineira

Por Juliana Gimenes

O documentário E agora, José, Maria, João…? realizado pela VideoBase Filmes, produtora de Campinas, que aborda a temática da moradia assistida à pessoas com deficiência, tem estreia marcada para o dia 23, próximo domingo, às 21h, na TV Cultura.

A produção é uma das três vencedoras do concurso “Passa Lá em Casa – A Moradia Assistida e a Autonomia Possível”, promovido pela Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, em parceria com a Fundação Padre Anchieta e apoio da Unesco, que tem como objetivo disseminar o conceito da inclusão social, abordando experiências de moradia assistida no Brasil e no exterior.

E agora, José, Maria, João…?  aborda a questão da moradia assistida apresentando soluções diversas que vão desde moradias em grupo até experiências voltadas a uma vida autônoma. As filmagens retratam tanto o cenário no Brasil quanto na Holanda, país em que uma das coordenadoras do Instituto MetaSocial – que trabalha há quase vinte anos desenvolvendo métodos de inclusão social junto à midia e foi parceiro na idealização do projeto – Patrícia Heiderich, morou com sua filha Tatiana Heiderich, que possui Síndrome de Down, e teve grandes experiências com projeto de moradia e inclusão de pessoas com deficiência intelectual.

“Somos parceiros há quase dez anos e o instituto nos ajudou com a pesquisa e o desenvolvimento do roteiro. Com essa experiência pessoal a Patrícia pode nos ajudar a criar o roteiro e decidir quais pessoas entrevistar na Holanda, juntamente com o apoio da Associação Carpe Diem (associação sem fins lucrativos que trabalha com a inclusão de jovens com deficiência intelectual)”, conta Raphael Siqueira, um dos diretores da produção.

Still frame do documentário "E agora, José, Maria, João...?" (Crédito: VideoBase Filmes)
Still frame do documentário “E agora, José, Maria, João…?” (Crédito: VideoBase Filmes)

Segundo Raphael, o documentário, que levou um ano e meio para se concretizar e envolveu mais de 20 pessoas trabalhando diretamente e mais de 50 entrevistados em ambos os países, foi feito para ser consumido pelo grande público e não só por pessoas ligadas a causa. “Sabemos que o tema é denso e complexo, por isso optamos por uma montagem leve utilizando belíssimas imagens feitas por Marcelo Murbach, diretor de fotografia e Vinícius Colombini, para que consigamos passar o conteúdo de uma forma agradável”, comenta.

Foram selecionados também outros dois projetos de obras audiovisuais documentais de 52 minutos sobre a temática: Viver só e Pode entrar, a casa é nossa, que traçam as experiências na França e em Portugal, que serão transmitidos em outros domingos.

Still frame do documentário "E agora, José, Maria, João...?" (Crédito: VideoBase Filmes)
Still frame do documentário “E agora, José, Maria, João…?” (Créditos: VideoBase Filmes)

Sinopse

Vitor tem deficiência intelectual. Adilson também. Suas irmãs Rosângela e Carmem estão preocupadas com o futuro, afinal, o que vai acontecer quando elas não mais puderem cuidar deles? Por meio de histórias de vida emocionantes como estas e muitas outras, o documentário foi buscar respostas para a questão das moradias assistidas no Brasil, mostrando o que começa a ser feito por aqui e iniciativas do governo e da sociedade na Holanda que mudaram as perspectivas e trouxeram enormes avanços para todos: pessoas com deficiência, famílias e comunidade.

Moradia Assistida

O desejo de autonomia das pessoas com deficiência, além do aumento da expectativa de vida, tem destacado a urgência de se desenvolver políticas habitacionais e iniciativas públicas que lhes garantam qualidade de vida e condições adequadas de moradia.

A moradia assistida é uma residência habitada por pessoas portadoras de deficiências ou transtornos mentais. Nestes locais os moradores recebem cuidados de enfermeiros, psicólogos, terapeutas e cuidadores em período integral, de acordo com as suas necessidades. O gerenciamento da casa monitora as rotinas diárias dos moradores, cuidados pessoais e tarefas domésticas, dando assim aos adultos com necessidades especiais a possibilidade de conquistarem independência da família, tornando-se mais auto-suficientes e auto-confiantes.

Em Campinas, no início dos anos 90, a Secretaria Municipal instaurou um processo de co-gestão com o Hospital Psiquiátrico Cândido Ferreira e iniciou uma batalha de desmontagem do manicômio e construção de uma rede substitutiva em saúde mental. Disparadora desse processo, em 1991 foi criada a primeira residência terapêutica, modelo de moradia assistida.

(Crédito: Juliana Gimenes)
(Créditos: Juliana Gimenes)

Editado por Verônica Miranda

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