Eleitor elege congresso mais conservador

Por Anderson Epifanio e Tiago Soares

simbolo_do_congresso_nacionalO aumento de militares, religiosos, ruralistas e outros segmentos mais identificados com o conservadorismo ganharam a preferência do eleitorado nas eleições de 2014. Segundo números divulgados pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP), este será o Congresso mais conservador pós 1964, período em que os militares assumiram o poder no Brasil.

Esse cenário, de um Congresso mais dividido, que se avizinha para o quadriênio 2015-2019, deve trazer alguns entraves em propostas amplamente discutidas, mas ainda sem consenso na sociedade, como a questão do aborto, a descriminalização das drogas, a criminalização da homofobia, a diminuição da maioridade penal. E outros temas também complexos, mas sem tanto apelo social devido a sua complexidade como a demarcação das terras indígenas.

Em entrevista exclusiva para o Digitais, o cientista político João Quartim de Moraes, da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) disse que houve uma “dispersão do voto dado pelo eleitorado, e o surgimento de partidos menores sem consistência eleitoral” contribuíram para esse cenário.

Mas Moraes também ressalva que embora esses parlamentares eleitos pertençam a grupos vistos como conservadores, “há necessidade de dados mais precisos, incluindo aí a atuação pregressa desse parlamentar eleito, bem como as configurações que serão construídas no congresso por meio das negociações políticas entre os partidos”, analisa.

Informações divulgadas pelo DIAP mostram que o número de deputados ligados as causas sociais caíram. A proporção da frente sindical também foi reduzida quase à metade: de 83 para 46 parlamentares, enquanto que a de militares contará com 55 deputados, parte dos quais defendeu, na campanha, a revisão do Estatuto do Desarmamento, a redução da maioridade penal e a criação de leis mais rígidas para punir crimes.

Evangélicos

A bancada evangélica contará com 52 parlamentares, tendo como representantes de destaque Marcos Feliciano (PSC), que foi reeleito e protagonizou polêmicas que envolveram os movimentos que defendem a criminalização da homofobia, o direito ao aborto e à legalização de drogas como a maconha.

Em entrevista para o Portal Agência Brasil, o líder do Partido Republicano Brasileiro (PRB) na Câmara, George Hilton (PRB-MG), partido que foi fundado por integrantes da Igreja Universal do Reino de Deus, ponderou e disse “essas posições não são novas”. Afirmando que “O país é plural, mas ainda tem uma história muito conservadora. É de maioria cristã. É natural que essa maioria defenda, no Parlamento, os ideais cristãos”, defende. Também poderá fazer parte da futura bancada, o apresentador Celso Russomano (PRB-SP), deputado mais votado destas eleições com 1,5 milhão de votos.

 

Congresso eleito em 2014 (crédito: Tiago Soares)
Congresso eleito em 2014 (crédito: Tiago Soares)

Editado por: Guilherme Kowalesky e Guilherme Luz

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