Convite para rede social é vendido por mais de R$300

Por Alef Gabriel

No fim de setembro uma rede social muito conhecida (e até querida) foi abandonada e fechada de vez, o Orkut. Curioso ou não, mas ao mesmo tempo uma outra rede social paralela, chamada Ello, estava começando a surgir com força no mundo virtual. Coincidentemente para adentrar a esta nova rede é necessário ser convidado por alguém que já faz parte, característica semelhante ao Orkut no seu inicio.

Ello surge como uma alternativa para quem (por um motivo ou outro) não se sente mais confortável em usar a principal rede social atual, o Facebook. Seja pelo fato de ser bombardeado com propagandas a todo momento, ou a falta de privacidade, uma vez que parte das suas informações colocadas no Facebook são vistas e acessadas por muitas pessoas, que você pode conhecer ou não.

Os mecanismos de privacidade que poderiam controlar essa exposição muitas vezes são falhos. Nós do Digitais já abordamos a exposição na internet como algo danoso, veja aqui e aqui.

Página inicial do site da rede social Ello (Crédito: Alef Gabriel)
Página inicial do site da rede social Ello (Crédito: Alef Gabriel)

Para pedir o tal convite para fazer parte da rede Ello, é bem simples. Basta entrar no site Ello.co, clicar em “Request an Invitation“, colocar seu e-mail e clicar em “Resquest Invitation“. Pronto, agora é só esperar o grupo responder seu pedido.

Porém, muita gente não consegue esperar (uma vez que o Ello recebe milhares de pedidos por hora e é quase impossível responder a todos), a ansiedade e a curiosidade de fazer parte de uma rede exclusiva e nova, pode levar usuários a pagar por essas entradas virtuais.

E o mais inusitado, é que não é pouco, os valores podem ser de 0,01 cent (centavo de dólar) até 368,00 reais, que podem ser encontrados no Ebay e no MercadoLivre. Felizmente a própria marca aconselha a não comprar estes convites, esse não seria o propósito do grupo e pedem para que o usuários tenham paciência que em breve terão seus convites de graça.

Print de um dos exemplos de vendedores no Ebay citados na matéria (Crédito: Alef Gabriel)
Print de um dos exemplos de vendedores no Ebay citados na matéria (Crédito: Alef Gabriel)

Carlos Guimarães, 22, assistente de arte em social midia diz que se interessa muito por redes sociais, heavy user (usuário bastante ativo), acha interessante uma nova rede com propósito de não poluir a tela com propagandas, ser simples e minimalista e com mais privacidade.

Entretanto, ele alerta que todo esse propósito da marca de ser algo não tão monetário vai contra a ideia de se comercializar os convites do site. Ele nos conta sobre a filosofia do grupo de não transformar o usuário em um produto, não tratar como mercadoria e também não vender seus dados para um anunciante (coisa que o Facebook faz). Completa dizendo que “O poder de atração que esses “clubes” virtuais exercem sobre as pessoas só vem se acentuando com o tempo, e parece que, quanto mais exclusivo for o acesso ao serviço, mais ele é valorizado (pelo menos por um tempo)”. Carlos pediu seu convite há mais de 1 mês e diz que pretende continuar esperando até que receba de graça pelo Ello.

Carlos Guimarães verificando o site inicial, onde é possível requisitar o convite para a rede Ello (Crédito: Alef Gabriel)
Carlos Guimarães verificando o site inicial, onde é possível requisitar o convite para a rede Ello (Crédito: Alef Gabriel)

Procuramos a opinião médica sobre estes usuários ansiosos que sentem necessidade de gastar dinheiro para poder entrar no novo circulo social do momento.

Rosana Chenuc, psicóloga, pós graduada pela Faculdade de Medicina da USP, trabalhou no Ambulatório de Dependência de Internet na Psiquiatria do HC (Hospital das Clínicas), diz que a mídia de modo geral trabalha muito bem no sentido de criar necessidades nas pessoas de modo que elas consumam o que está sendo vendido. “Se você não tem, você está fora, está excluido, está a margem e ninguém quer estar á margem. Com as redes sociais não é diferente, e o fato de você precisar de um convite, faz aquilo ser mais especial, ou com a ilusão que você vai pertencer a algo importante e as pessoas não querem ficar de fora”, comenta a psicóloga.

Quando questionada sobre possíveis tratamentos para estes usuários que pagam pelos convites, Rosana afirma que não significa que estejam doentes e precisam ser tratados, isso só acontece quando a pessoa deixa de viver o mundo real e atividades rotineiras para viver inteiramente no mundo virtual.

Izadora Pimenta, blogueira, formada em jornalismo, relata sua experiência como usuária que recebeu de graça o convite para participar da rede. Izadora conta que apesar de ter achado legal, não encontrou muitos atrativos e funcionalidades no site. “Não vejo como um futuro concorrente do Facebook e também não tenho esse sentimento de exclusividade em relação a ela. Não sei ainda se irá vingar.”

Já o criador do Ello, Paul Budnitz, atual dono de uma marca de bicicletas de luxo, ator e escritor e filho de um físico nuclear, com ideias diferentes da maioria, não considera-se concorrente do Facebook porque ele diz não acreditar que o Facebook seja uma rede social e sim uma plataforma para anunciantes, tudo gira em torno de fazer dinheiro, afirmou para imprensa.

Print exemplo de como é a rede social por dentro depois que se recebe o convite, o "mural" limpo e minimalista. (Crédito: Divulgação)
Print exemplo de como é a rede social por dentro depois que se recebe o convite, o “mural” limpo e minimalista. (Crédito: Divulgação)

E você o que acha dessa nova rede? Deixe seu comentário aqui para compartilharmos opiniões.

Editado por Nathani Mota

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