Exposição excessiva na internet indica síndrome

Por Daniela Castro

Os padrões de felicidade tão expostos nas redes sociais exemplificam bem isso, a roupa do amigo é sempre melhor, o celular é mais caro, a viagem é mais agradável” afirma a psicóloga Renata Rodrigues (Crédito: Pinterest)
“Nas redes sociais a roupa do amigo é sempre melhor, o celular é mais caro, a viagem é mais agradável” afirma a psicóloga Renata Rodrigues (Crédito: Pinterest)

FOMO é a sigla em inglês para “Fear Of Missing Out” ou, em tradução livre, medo de ficar de fora de alguma coisa. A síndrome que foi divulgada no primeiro semestre deste ano, é o objeto de estudo do cientista social Andrew Przybylski, da Universidade de Oxford. Que constatou que 70% da população mundial sofre atualmente desse mal. O medo se caracteriza por três sintomas principais: não conseguir se desconectar, sentir um incômodo ao não saber o que os outros estão fazendo e ficar deprimido por não estar participando de algo que seus amigos virtuais estão vivenciando.

Segundo a psicóloga Renata Rodrigues, FOMO não deve ser considerado uma doença, mas sim, um fenômeno. “Todas as ferramentas de comunicação têm como objetivo facilitar a vida do usuário. Agora, se o individuo passa a utilizar de forma excessiva, isso claramente irá provocar prejuízos emocionais, físicos, sociais, criando inclusive um mal estar entre ele e as pessoas que o cercam”, explica.

O medo de estar perdendo algo só existe porque estamos o tempo todo nos comparando aos outros. Segundo a psicóloga Renata, hoje somos frutos de uma sociedade regida pelo capitalismo. “Cada vez mais estamos diante de sujeitos insaciáveis em sua demanda de consumo. Os padrões de felicidade tão expostos nas redes sociais exemplificam bem isso, a roupa do amigo é sempre melhor, o celular é mais caro, a viagem é mais agradável” afirma.

Nessa questão, a estudante Martha Rodrigues, 20, sabe que a grama do vizinho é realmente mais verde nas redes sociais. “Um Instagram e Facebook que não cause aquela ‘invejinha branca’ nos outros, não tem graça. Todo mundo quer mostrar o que anda fazendo” afirma. Segundo a estudante, ter muitos likes e comentários faz bem ao ego da pessoa e por isso ela sente a necessidade de sempre expor “o melhor” que tem a oferecer.

Para a estudante Martha Rodrigues, a quantidade de likes e comentários faz bem para o ego das pessoas (Crédito: Daniela Castro)

Para a psicóloga, a internet surgiu como uma ferramenta para auxiliar no nosso dia a dia, facilitar a comunicação e a interação, mas o segredo do seu bom uso esta no bom senso de seus usuários. “Tudo que é utilizado em demasia, sem controle, acaba atrapalhando. Acho que a consciência deve partir de cada indivíduo: o que vale mais? Os momentos ou as postagens? Enfim, não existe uma receita pronta, é o exercício diário de desapegar”, sugere.

 

Editador por Nathani Mota

2 comentários

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s