Primeiro clube da cachaça incentiva a cultura nacional

Por Juliana Gimenes

Assim como a cerveja, que possui um elevado número de consumo no Brasil (14 milhões/ano, como já citado aqui no Digitais), com 11,6 L consumidos anualmente por cada brasileiro, a cachaça é o destilado de preferência nacional e o terceiro do mundo. Entretanto, apesar deste índice, a bebida ainda é marginalizada. Partindo destes números e com a intenção de mudar a percepção negativa que muitas pessoas têm sobre a bebida, a jornalista e ex-aluna da PUC-Campinas, Giuliana Wolf, junto com seu pai, Roque Wolf, e seu namorado, Thiago Tavares, criou o Quintal da Cachaça, primeiro clube para assinantes interessados em experimentar e adquirir cachaças provenientes de alambiques de todo o Brasil.

(Crédito: Giuliana Wolf)
O brasileiro consome cerca de 11,6 L por ano (Crédito: Giuliana Wolf)

Partindo do gosto por cervejas que Thiago já possuía e do interesse pessoal pela cachaça, o casal foi a Paraty (RJ) conhecer os alambiques situados na cidade, que possui uma grande tradição de produção de bebida artesanal e de qualidade. “Quando voltamos para Campinas o Thiago queria comprar as cachaças que tínhamos tomado lá, mas não encontrava em nenhum lugar. Daí ele surgiu com a ideia”, conta a jornalista a respeito do nascimento do projeto. “Vimos que a cachaça tem um potencial gastronômico, cultural e histórico. Queremos ajudar a disseminar a cultura, o valor e os sabores incríveis das cachaças artesanais e de qualidade”, completou ela.

Lançado no dia 13 de setembro, Dia Nacional da Cachaça, hoje o clube já contabiliza cerca de 50 assinantes. Neste período, o Quintal já foi citado em veículos como a Folha de S. Paulo, Correio Popular, entre outros canais especializados em bebidas. “É impressionante o quanto sair na mídia alavanca o negócio, porque não se trata apenas de exposição, mas também da credibilidade que esses meios de comunicação passam para os leitores deles”, disse Giuliana.

Em parceria com a festa “Escuta o Cheiro”, onde foi realizado o lançamento do Quintal, a start-up recupera a relação que a cachaça e o samba têm desde a época da escravidão. Este envolvimento da bebida com a música popular brasileira pode ser visto ainda na parceria entre o clube e outro projeto desenvolvido pela também ex-aluna de jornalismo da PUC Campinas, Izadora Pimenta, o BACKBEAT. Apesar disso, Giuliana diz não possuir ainda nenhuma forma de patrocínio para o projeto. “Algumas cachaças quiseram entrar como patrocínio, mas a gente quer antes de tudo estabelecer nossa marca, independentemente de ter uma cachaça dando apoio ou não, até para as pessoas não confundirem as coisas. Então até agora todo o investimento tem partido de nós”, conta Wolf.

“A gente foi inspirado mesmo pela cachaça em si, que já gostávamos muito, e depois começamos a conhecer melhor”, conta Giuliana, sobre a criação do projeto (Crédito: Giuliana Wolf/Quintal da Cachaça)

Os assinantes recebem, todos os meses, duas cachaças artesanais em casa. Cada garrafa tem entre 300 e 400 ml, e tenta-se fornecer o maior número possível de variedades de madeiras em que as cachaças são envelhecidas ou armazenadas. “Existem mais de 30 tipos de madeira em que se pode fazer isso. Em comparação, o Whisky, por exemplo, é sempre envelhecido em carvalho. A maior parte das cachaças hoje é envelhecida em carvalho também, mas existe um leque enorme que está começando a ser explorado pelos produtores”, afirma Giuliana. Nos próximos meses o Quintal se expandirá e lançará dois novos planos de assinatura, um para quem tem pouca familiaridade e outro para colecionadores. Além disso, criará um sistema de e-commerce para aqueles que preferem comprar a cachaça de forma avulsa.

A jornalista afirma que a sua formação acadêmica auxilia, e muito, no crescimento da empresa. “Muita gente pode achar que o Quintal da Cachaça é uma empresa de internet, mas a gente não fica apenas na internet, é uma coisa real! Nós queremos que as pessoas levem as histórias da cachaça, a cultura e seus sabores para o quintal de cada uma delas, divida os kits que chegam a cada mês com os amigos, façam receitas, descubram todas essas possibilidades. E para transmitir isso e atrair as pessoas que podem estar interessadas nisso, é essencial uma comunicação eficiente, direta, específica para o nosso público-alvo”, explica ela, que ainda completa: “Eu vejo como cada detalhe é importante, desde enviar um e-mail marketing que, apesar de ‘leve’ e curto, não deve ter nenhum erro de português, e tem que seguir nossa linha editorial. Toda a atenção e praticamente tudo que eu uso para produzir estes materiais, é fruto da faculdade de jornalismo”.

Para assinar e conhecer melhor o clube, basta acessar o site e a página do Quintal da Cachaça no Facebook, onde há sempre novidades sobre o projeto, combinando gastronomia e bom humor.

(Crédito: Juliana Gimenes)

 

Editado por Ana Luiza Sesti

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