Professor desenvolve software de matemática para crianças cegas

Por Paula Fonseca

Atualizada em 28/09/2014 às 22h37

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(Crédito: Reprodução)

O MiniMatecaVox é um software desenvolvido exclusivamente para auxiliar crianças com deficiência visual no aprendizado de matemática. A iniciativa surgiu através da experiência de Henderson Tavares como professor e pesquisador, quando descobriu que na literatura não havia nenhuma iniciativa específica como sua ideia.

O software é voltado para crianças com idades de seis anos matriculadas no ensino fundamental e traz uma série de atividades elementares da matemática que podem tornar o seu ensino mais agradável e motivador. De acordo com Henderson o processo de desenvolvimento não foi um caminho fácil “O desenvolvimento foi um pouco custoso com relação às atividades matemáticas, já que  na grande maioria as atividades dos livros didáticos são baseadas em estímulos visuais, desta forma dificultou a adaptação para que as atividades ficassem acessíveis aos deficientes visuais.”

Para completar o desenvolvimento do programa, foi necessário cerca de dois anos para chegar no produto final atual e ele funciona com a intervenção contínua do professor, onde o aluno escuta as atividades (todas desenvolvidas com vozes humanas), responde e o software fornece um feedback com uma voz de uma criança da mesma faixa etária. A base do software permite que se crie conteúdo para outras disciplinas também, entretanto Henderson Tavares chama a atenção para a questão financeira na hora de preparar um programa como esse para ampliar as opções de ensino para os deficientes visuais “Para que seja contemplado todo ensino fundamental, exigiria um investimento relativamente alto para viabilizar novas pesquisas e produzir conteúdos com qualidade”.

Algumas instituições como a Pró Visão em Campinas já estão realizando testes com o programa, mas anteriormente ele já havia sido testado um uma instituição de atendimento especializado na finalização da dissertação. A intenção é que ele seja utilizado em todas as escolas, inclusive nas da rede pública, entretanto ainda não há nenhuma iniciativa para isso. A ONG Pró Visão trabalha auxiliando deficientes visuais no aprendizado escolar e também com bebês com esta deficiência.

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Henderson chegou a realizar em 2011 um artigo onde demonstrava a utilização do programa Dosvoz (trata-se de um sistema que interage com o usuário por meio da voz também) que somente está disponível para Windows, mas que pode ser utilizado no Linux educacional, que é o sistema que vem instalado nos computadores do PROINFO disponibilizados pelas prefeituras que aderiram o programa.

Quando questionado sobre a estrutura das escolas para receber alunos com deficiência visual o professor se mostra negativo quanto ao cenário atual e diz “Eu afirmo que não estão [preparadas] por experiência própria. Hoje um aluno deficiente visual dentro de uma sala de aula do ensino regular com mais 30 ou 40 alunos está totalmente fora do contexto educacional”, afirma Henderson.

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(Crédito: Paula Fonseca)

Editado por Bruna de Oliveira

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