Setembro é o mês do Alzheimer: saiba como lidar com a doença

Atualizado dia 09/10/2014

Por Verônica Miranda

Ter uma pessoa doente na família não é fácil e o que não é difícil é achar pessoas que passam por essa situação. A estimativa é que existam no mundo cerca de 35,6 milhões de pessoas com a Doença de Alzheimer. No Brasil, há cerca de 1,2 milhão de casos, a maior parte deles ainda sem diagnóstico de acordo com a ABRAZ (Associação Brasileira de Alzheimer). Neste mês de setembro a doença neurológica do Alzheimer é abordada a fim de prestar serviço aos familiares desses pacientes tão especiais.

Doutor Lucas Eduardo Belini, especializado em patologia como dores de cabeça, tonturas, dores lombares e cervicais, doenças neuro degenerativas como Parkinson e Alzheimer. (Créditos: Divulgação/Life Clínica)
Doutor Luís Eduardo Belini, especializado em neurologia como as doenças de Parkinson e Alzheimer (Crédito: Divulgação/Life Clínica)

A doença apresenta alterações psiquiátricas como agressividade e comportamento social inadequado. Transtorno depressivo e insônia também podem ocorrer”, afirma o especialista neurológico Luís Eduardo Belini, confira mais explicações:

Sérgio Silva, de 68 anos, sabe muito bem como são esses sintomas. Casado há 37 anos com Eurides Freitas de 62 anos, ele descobriu a 1 ano e meio que ela desenvolveu a doença de Alzheimer. Sérgio conta que o comportamento da esposa mudou quando começaram a fazer uma reforma na casa a 2 anos atrás. “Passamos com um geriatra e ele achou que ela estivesse com depressão, até que um dia ela acidentou numa escada rolante e eu resolvi procurar um neurologista”, disse ele.

Eurides foi examinada por dois neurologistas, a primeira médica diagnosticou o Alzheimer, que foi um grande susto para a família. “Percebemos que ela continuou piorando e troquei de neurologista, atualmente o Dr. Jair Cunha receitou medicamentos que sentimos uma melhora, como conseguir andar um pouco sozinha”, relatou Sérgio.

Sérgio deixa um conselho à quem tem parente na mesma situação:

O grau da doença está em médio e como o Dr. Belini explica, a doença pode causar insônia. Sérgio conta que ela acorda no meio da noite perguntando dos pais que já faleceram a 20 anos ou então contando que a neta já nasceu e está grande, mas a filha do casal Valéria Vilanova, de 32 anos, ainda está grávida. “É uma situação que pede muito amor e paciência. Graças a Deus, meus filhos me ajudam e minha cunhada Helena me ajuda nas tarefas domesticas e na cozinha, ela é o meu braço direito”, explicou Sérgio.

Casados a 37 anos, Sérgio e Eurides unem forças para conviver com a doença. (Créditos: Verônica Miranda)
Casados a 37 anos, Sérgio e Eurides unem forças para conviver com a doença (Crédito: Verônica Miranda)

“A perda de memória significativa em pessoas abaixo de 60 anos é um indicador de Alzheimer. Não existe uma doença que poderá ocasionar Alzheimer no futuro”, afirma o Dr. Belini.

Vilma Aparecida Rodrigues é cuidadora de idosos e já teve 8 pacientes com Alzheimer. (Créditos: Verônica Mirandal)
Vilma Aparecida Rodrigues é cuidadora de idosos e já teve 8 pacientes com Alzheimer. (Créditos: Verônica Mirandal)

Vilma Aparecida Rodrigues, de 57 anos é um exemplo de braço direito. Cuidadora de idosos a 15 anos, ela já cuidou de 8 pacientes com o mal de Azheimer. “Muito amor, paciência, olho no olho. É muito bacana, mas, olha é muito difícil, precisa ter preparo”, disse Vilma. Para exercer a profissão Vilma fez um curso no Hospital Municipal da cidade de Americana e está sempre atualizando seus conhecimentos fazendo mais cursos.

Confira o depoimento da experiencia de Vilma:

Além de Vilma há quem abra mão de algumas coisas ou de tudo para cuidar de uma pessoa doente. Esta é a história de Fernando Aguzzoli, de 22 anos. O estudante de filosofia trancou a faculdade na UFRGS, deixou o emprego e as festas com os amigos para se dedicar integralmente a vó. O diagnostico ocorreu depois que a família percebeu que ela estava tendo enjoos e que ela estava tomando os remédios contínuos de forma errada, trocando os horários ou esquecendo que já havia tomado.

"Eu graças a Deus fiz a melhor escolha da minha vida, foi assim que pude viver uma grande aventura ao lado de quem amo e tirar disso aprendizados pra vida inteira. " (Créditos: Fernando Aguzzoli/ Arquivo pessoal)
“Eu graças a Deus fiz a melhor escolha da minha vida, foi assim que pude viver uma grande aventura ao lado de quem amo e tirar disso aprendizados pra vida inteira”, disse Fernando (Crédito: Fernando Aguzzoli/ Arquivo pessoal)

Digitais: Foi fácil tomar essa decisão de abandonar emprego e faculdade para cuidar da sua avó? Você decidiu isso sozinho ou algum amigo ou parente te ajudou?

Fernando: https://soundcloud.com/ver-nica-miranda-7/entrevista-fernando-aguzzoli-alzheimer

Vó Nilva e o neto Fernando quando era pequeno. (Créditos: Fernando Aguzzoli/ Arquivo pessoal)
Vó Nilva e o neto Fernando quando era pequeno (Crédito: Fernando Aguzzoli/ Arquivo pessoal)

Em dezembro de 2013, Nilva de Lourdes Aguzzoli, ou simplesmente “Vovó Nilva” veio a falecer, após 6 anos de diagnostico da doença.

Digitais: Como foi o dia que ela se foi aos 79 anos? Você sentiu uma grande tristeza ou se sentiu satisfeito por fazê-la feliz em todos aqueles vídeos e fotos? Ou um pouco dos dois?

Fernando: “Quando ela se foi eu pude experimentar a sensação de missão cumprida. A dita ‘saudade boa’ que uma galera tanto fala! Ela existe sim, mas só pra aqueles que puderam fazer parte das dificuldades tanto quanto fizeram dos sorrisos, Se chorei? Certamente. Se senti falta? Muito. Mas também ri de mais com ela e hoje com as lembranças que tenho!”

A história de vó e neto se transformou em livro “Quem, eu? Um avó. Um neto. Uma lição de vida”, do próprio Fernando. O livro será lançado em Campinas dia 22/09 na livraria Saraiva, no Shopping Iguatemi.

Digitais: Além de escrever o livro com a finalidade das pessoas conhecerem sua história, você acha que este livro pode encorajar outras pessoas a fazerem o mesmo?

Fernando: “Tenho certeza! Recebo muitas mensagens por dia de pessoas descrevendo o motivo pelo qual o livro mudou algo em suas vidas, isso é incrível e muito gratificante!”

Créditos: Fernando Aguzzoli/ Arquivo pessoal
Fernando e sua Avó Nilva em um momento feliz (Créditos: Crédito: Fernando Aguzzoli/ Arquivo pessoal)

 

Alerta no meio da noite

É comum pessoas que sofrem da doença levantar no meio da noite e sem que ninguém perceba, saem andando pela casa. Devido ao escuro, a visibilidade é mínima e podem ocorrer acidentes. O avô de Kenneth Shinozuka, de 15 anos sofre de Alzheimer e já colocou sua vida em risco. O neto decidiu criar um dispositivo que avisa, via smartphone, toda vez que o idosos encostar os pés no chão. O gadget, que fica preso ao pé ou na meia, consiste em um sensor de pressão conectado a um chip RFID. Dessa forma, assim que a pessoa coloca os pés no chão, o sensor é acionado, enviando uma mensagem ao celular da pessoa responsável por cuidar do idoso. O garoto testou o protótipo construído durante seis meses com seu avô e o aparelho conseguiu detectar todas as vezes em que ele se levantou. Simples, de baixo custo e essencial para a segurança de quem tem Alzheimer, o projeto de Kenneth Shinozuka ficou entre os 15 finalistas do Google Science Fair.

E se você precisa de assistência sobre como lidar com o mal de Alzheimer seguem alguns contatos de ONGS:

Associação Maior Apoio ao doente de Alzheimer

Email: amada@amada.org.br

Site: www.amada.org.br

Contato: (19) 3251-5598 e (19) 3255-2226

Endereço: Rua Benjamin Constant 1.657, Campinas – SP (Hospital Irmãos Penteado)

Associação Brasileira de Alzheimer

Rua Frei Caneca, 915, cj 3 – Cerqueira César
CEP 01307-001 São Paulo – SP
Telefone: (11) 3237-0385 ou 0800-55-1906
E-mail: abraz@abraz.org.br

Site: www.abraz.org.br

Editado por Ana Luiza Sesti

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