Namoro de 11% dos jovens começou online, diz pesquisa

Por Vanessa Dias

Redes sociais, como o Facebook, são o principal meio de jovens se relacionarem pela Internet (Crédito: Vanessa Dias)

Uma pesquisa realizada este ano pelo Portal Educacional mostra que, entre os relacionamentos sexuais do jovem brasileiro, 5% é virtual. A pesquisa, intitulada “Este Jovem Brasileiro” foi feita com 4 mil estudantes de 13 a 16 anos, 300 pais e 60 professores, em 14 estados. Além dessa porcentagem, foi apontado que 11% dos jovens entrevistados já tiveram ao menos um namoro com alguém que nunca conheceram pessoalmente. De acordo com a psicóloga clínica Moira Fiorentino Fioravanti, esse número é explicado pelo comportamento dos jovens atuais. “Na Internet, as pessoas são ‘livres’ para colocar seus ‘monstros’ para fora quando precisam opinar ou seduzir, o que difere do olho-olho, que envolve tantos manejos. É de certa forma mais fácil, mas não deixa de ser uma ilusão”, comentou ela.

Dados da pesquisa feita por Portal Educacional e ferramentas apontadas por entrevistados da reportagem como “armas anti-perfis falsos” (Crédito: Vanessa Dias)

Ainda de acordo com a psicóloga, a Internet (em especial, nos sites de relacionamento) pode ser uma espécie de “palco”, para alguns. Enquanto uns constroem um perfil on-line onde só se é exibido as partes boas, outros se deixam seduzir pelo mundo virtual, acreditando que o que está exibido na Internet é verdadeiro e único. “Acho que é mais fácil se interessar por alguém que você só conhece virtualmente. Pela Internet, você não vê as manias chatas e defeitos da pessoa. Só vê suas melhores fotos, seus melhores lados”, comentou a estudante J.R., que já teve três relacionamentos virtuais. Mas a jovem defende: “Eu já quebrei muito a cara, mas é só uma questão de cuidado. Não é de todo ruim se relacionar pela web, é um jeito bem bacana de encontrar pessoas com interesses em comum ao seu. É mais difícil fazer isso na rua, ainda mais se você é tímido”.

Perigo

Ao se relacionar na Internet, com alguém nunca visto pessoalmente, tomar alguns cuidados são essenciais. “Já namorei um cara só pela Internet. Meses depois, descobri que era um fake (perfil falso) e eu estava falando o tempo inteiro com uma garota que não conhecia. Ela me mandava fotos do primo dela. Desconfiei, porque ela dizia que tinha notebook, mas não webcam”, relatou Geovana Bonfatti, estudante.

No programa Catfish, exibido pela MTV brasileira, os apresentadores mostram os perigos do relacionamento virtual, desvendando perfis falsos (Crédito: Divulgação)

A pesquisa feita pelo Portal Educacional aponta que, dos 4 mil jovens, 600 já abriram a webcam de seus computadores para completos desconhecidos. Apesar do número alarmante, a maior parte dos jovens brasileiros não confiam totalmente em tudo o que veem on-line: 60% dos entrevistados afirmaram que, quando encontram pessoas conhecidas pela Internet, possuem estratégias para garantir a segurança, como marcar algum lugar público ou levar um amigo. “Não dá para afirmar apenas um motivo que leva alguém a mentir na Internet. Depende do perfil psicológico de cada indivíduo. Uma pessoa pode mentir por problemas de auto-estima – e, na Internet, ela pode ser “visualmente” quem ela quiser. Ela também pode não querer um relacionamento, mas usar a Internet para suprir uma carência momentânea. Ou seja, ela diz que namora uma pessoa, mas não tem intenções de conhecê-la ou ser sincera com ela”, definiu a psicóloga especializada em comportamento e arte-terapia Elizabete Pereira. Além de desconfiar das informações passadas, é importante que o internauta se atenha as informações que ele próprio disponibiliza, como é o caso da ferramenta do aplicativo Instagram, que disponibiliza ao público o endereço completo (inclusive o nome da rua), já mostrado aqui no Digitais.

Pais

Como definir um limite entre permitir que os filhos aproveitem os benefícios da Internet, mas se protejam dos perigos que ela oferece? Ainda de acordo com a pesquisa “Este Jovem Brasileiro”, apenas 1% dos pais sabem que os filhos conheceram seus namorados na Internet. “Conheci pessoalmente uma amiga da Internet, quando tinha 12 anos. Disse a minha mãe que era amiga de uma antiga escola, e acho que até hoje ela não sabe a verdade”, contou a estudante J.R. A psicóloga Moira Fioravanti aconselha: “Orientar os filhos pode, sim, ser suficiente. Mas varia de caso a caso. O importante são os pais participarem da vida dos filhos, seja com escola, internet, amigos, namorados. Não reprimir, mas também não banalizar e liberar tudo.”

Editado por Paula Fonseca

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